
Os dados do 8º relatório “Tendências em Gestão de Pessoas 2026”, da consultoria GPTW, revelam que o mercado de trabalho brasileiro está mais volátil, no qual decisões estratégicas sobre pessoas, liderança e contratações exigem ainda mais atenção das áreas de Recursos Humanos e gestão de pessoas. Apesar de a maioria das organizações ainda enxergar oportunidades de crescimento, o sentimento de incerteza atingiu o maior nível da série histórica.
De acordo com o levantamento, 63,4% dos respondentes avaliam as oportunidades de negócio com otimismo, enquanto 35,4% demonstram incerteza. O pessimismo segue residual, com apenas 1,2%. Ainda assim, o avanço da insegurança sinaliza mudanças importantes no mercado de trabalho, especialmente no planejamento das empresas para o médio e longo prazo.
Mercado de Trabalho: incerteza cresce e atinge recorde histórico
Desde as primeiras edições do estudo, o mercado de trabalho brasileiro foi marcado por altos níveis de confiança. No entanto, em 2026, a incerteza voltou a crescer de forma expressiva, alcançando 35,4%, o maior índice já registrado. Esse movimento interrompe a tendência de leve queda observada nos dois anos anteriores e reforça a percepção de um ambiente econômico e organizacional mais desafiador.
Mesmo com esse cenário, o otimismo ainda predomina. O dado indica que as empresas não perderam a confiança, mas estão mais cautelosas. Para o RH, esse equilíbrio entre expectativa positiva e prudência exige uma atuação mais estratégica, com foco em planejamento de pessoas, eficiência operacional e desenvolvimento de lideranças.
Diferenças geracionais e setoriais no Mercado de Trabalho
A percepção sobre o mercado de trabalho varia de acordo com a geração. A Geração Z se destaca como a mais otimista, com quase 72% confiantes nas oportunidades de 2026, embora também apresente o maior índice de pessimismo entre os grupos analisados. Já os millennials concentram o maior percentual de incerteza, refletindo uma postura mais cautelosa diante do cenário.
Quando o recorte é feito por setor, Turismo e Lazer, Transporte e Logística, Jurídico e Construção e Infraestrutura lideram em otimismo. Em contrapartida, alguns segmentos mostram maior polarização, combinando altos índices de confiança com níveis relevantes de pessimismo. A Indústria, por exemplo, apresenta praticamente um empate entre otimismo e incerteza, evidenciando um mercado de trabalho que avança, mas sem sinais claros de estabilidade.

Crescimento dos negócios segue, mas perde fôlego
Outro dado relevante do mercado de trabalho em 2026 é a percepção sobre o crescimento dos resultados organizacionais. Embora a maioria das empresas ainda indique evolução em relação ao ano anterior, esse percentual caiu de 78% para 73%. Ao mesmo tempo, aumentou o número de organizações que não observaram crescimento.
Mesmo com essa desaceleração, o cenário permanece positivo. Estados com maior participação na pesquisa, como São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, registraram índices de crescimento acima de 70%. O resultado reforça que o mercado de trabalho segue em expansão, ainda que em um ritmo mais moderado e sujeito a oscilações.
Liderança e qualificação dominam os desafios do Mercado de Trabalho
Pela primeira vez, o desenvolvimento e a capacitação da liderança aparecem como o principal desafio da gestão de pessoas, citados por 43,9% dos respondentes. Logo atrás, a contratação de profissionais qualificados alcança 42,9%, praticamente dobrando em relação ao ano anterior. Esses dados evidenciam um mercado de trabalho mais competitivo, no qual atrair e preparar talentos se tornou prioridade.
Temas como comunicação interna e engajamento continuam relevantes, mas há uma clara concentração dos desafios nesses dois eixos principais: liderança e qualificação. Para o RH, isso reforça a necessidade de investir em formação contínua, sucessão de lideranças e estratégias mais assertivas de atração e retenção.
O que o cenário de 2026 sinaliza para o RH
O retrato do mercado de trabalho em 2026 mostra um ambiente menos previsível, porém longe de um cenário negativo. A combinação de otimismo com cautela exige que as áreas de RH atuem de forma ainda mais analítica e estratégica, conectando decisões de pessoas aos objetivos do negócio.
Com desafios cada vez mais concentrados e um mercado mais exigente, organizações que investirem em liderança, qualificação e comunicação interna tendem a estar mais preparadas para enfrentar as incertezas e aproveitar as oportunidades que ainda existem no mercado de trabalho brasileiro.
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