
A gestão de riscos nas empresas ainda é um grande desafio. Pensando nisso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou um novo manual técnico com orientações para a aplicação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), previsto na Norma Regulamentadora nº 1.
A publicação tem como objetivo apoiar empresas, profissionais de Recursos Humanos, Departamento Pessoal e especialistas em saúde e segurança do trabalho na implementação de práticas mais eficazes na gestão de riscos.
O material, intitulado Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, reúne diretrizes técnicas e operacionais para a identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais. Além disso, amplia o debate sobre um tema cada vez mais relevante nas organizações: os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Manual reforça cultura de prevenção nas empresas
A iniciativa do MTE faz parte de um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da cultura de prevenção no ambiente de trabalho. A proposta é incentivar empresas a adotarem uma postura mais estratégica na gestão de riscos, indo além do cumprimento formal das exigências legais.
O manual orienta sobre como estruturar um sistema de gestão em saúde e segurança do trabalho (SST), com foco na melhoria contínua e na redução de acidentes e doenças ocupacionais. A publicação também destaca a importância da participação ativa dos trabalhadores no processo de identificação e mitigação de riscos.
Nesse contexto, o documento reforça que a gestão de riscos deve ser contínua, integrada e alinhada às rotinas organizacionais, permitindo maior controle sobre fatores que podem impactar a saúde física e mental dos colaboradores.
Gestão de riscos psicossociais ganha destaque
Um dos principais avanços do novo manual é a abordagem dos riscos psicossociais, tema que vem ganhando espaço nas discussões sobre saúde no trabalho. Esses riscos estão relacionados a fatores como excesso de carga de trabalho, pressão por resultados, jornadas extensas, falta de autonomia e conflitos interpessoais.
De acordo com o MTE, esses elementos podem afetar diretamente o bem-estar dos trabalhadores e contribuir para o desenvolvimento de problemas como estresse, ansiedade e outros transtornos emocionais.
A inclusão desse tema no manual está alinhada com a necessidade de ampliar o olhar das empresas sobre saúde ocupacional, incorporando aspectos que vão além dos riscos físicos, químicos e biológicos tradicionalmente monitorados.
Integração com outras normas e práticas de SST
O documento também orienta sobre a integração do GRO com outras normas regulamentadoras, como a NR-17, que trata das condições de trabalho e ergonomia. A proposta é garantir que a gestão de riscos seja abrangente e considere diferentes dimensões do ambiente laboral.
Entre os pontos abordados estão a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), metodologias que auxiliam na identificação de fatores que podem comprometer a saúde e o desempenho dos trabalhadores.
O manual destaca que essas ferramentas devem ser utilizadas de forma complementar, contribuindo para um diagnóstico mais preciso das condições de trabalho e para a definição de medidas preventivas mais eficazes.
Estrutura orienta empresas em todas as etapas do GRO
A publicação apresenta uma estrutura detalhada do processo de gestão de riscos , desde o planejamento até o monitoramento contínuo das ações implementadas.
Entre os principais pontos abordados estão:
- Levantamento preliminar de perigos e riscos;
- Identificação de agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos;
- Avaliação do nível de risco com base em critérios de severidade e probabilidade;
- Definição e implementação de medidas de controle;
- Acompanhamento da saúde dos trabalhadores;
- Análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
O manual também traz orientações sobre a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo a construção do inventário de riscos e do plano de ação, documentos obrigatórios para muitas organizações.
Participação dos trabalhadores é considerada essencial
Outro ponto de destaque na publicação é o papel dos trabalhadores na gestão de riscos. O manual reforça que a participação ativa dos colaboradores é fundamental para o sucesso das ações de prevenção.
Entre as estratégias recomendadas estão a utilização da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) como canal de consulta e a criação de mecanismos de comunicação eficazes dentro das empresas.
A ideia é garantir que os trabalhadores tenham espaço para relatar riscos, sugerir melhorias e contribuir com informações relevantes sobre o ambiente de trabalho.
Alinhamento com campanha nacional de prevenção
O lançamento do manual está alinhado à Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho 2026 (CANPAT 2026), que terá como tema a prevenção de riscos psicossociais.
A campanha busca ampliar o debate sobre saúde mental no ambiente de trabalho e incentivar práticas que promovam o bem-estar dos trabalhadores, reforçando a importância de ambientes mais seguros, saudáveis e equilibrados.
Nesse cenário, o manual surge como uma ferramenta prática para apoiar empresas na implementação de ações alinhadas às diretrizes da campanha.
Impactos para RH e Departamento Pessoal
Para profissionais de RH e Departamento Pessoal, o novo manual representa uma oportunidade de aprimorar processos internos e fortalecer a gestão de riscos das empresas.
A adoção das práticas recomendadas pode contribuir para a redução de afastamentos, melhoria do clima organizacional e aumento da produtividade. Além disso, o alinhamento com as normas regulamentadoras ajuda a reduzir riscos legais e garantir conformidade com a legislação trabalhista.
A publicação também reforça o papel estratégico dessas áreas na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis, integrando ações de saúde ocupacional às políticas de gestão de pessoas.
Caminho para ambientes de trabalho mais seguros
Com o lançamento do manual, o MTE dá mais um passo na modernização das políticas de saúde e segurança no trabalho no Brasil. A proposta é incentivar uma abordagem mais preventiva, estruturada e alinhada às transformações do mercado.
Ao ampliar o foco para incluir riscos psicossociais e reforçar a importância da gestão contínua, o documento contribui para que empresas avancem na construção de ambientes mais seguros, produtivos e humanizados.
A expectativa é que a nova publicação sirva como referência para organizações de diferentes portes e setores, apoiando a implementação de práticas mais eficazes de prevenção e gestão de riscos.







