
Fonte: TRT
Documento produzido em parceria entre o TST e a Universidade de Brasília reúne orientações sobre prevenção de riscos psicossociais, sinais de burnout e o direito à desconexão no trabalho.
A Justiça do Trabalho lançou, em 28 de setembro, a cartilha Saúde Mental no Trabalho, como parte da campanha institucional “Sua saúde é a fronteira que o trabalho não pode atravessar”. A iniciativa foi desenvolvida por meio de uma parceria entre o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a Universidade de Brasília (UnB), reunindo orientações para prevenção de riscos psicossociais e informações sobre situações que podem afetar o bem-estar dos trabalhadores.
A publicação apresenta os principais pontos da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece a necessidade de identificação e gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Nessa perspectiva, a cartilha trata a saúde mental como algo associado à qualidade de vida, à segurança, às relações profissionais e à capacidade de tomada de decisões dos trabalhadores.. Nessa perspectiva, a cartilha trata a saúde mental como algo associado à qualidade de vida, à segurança, às relações profissionais e à capacidade de tomada de decisões dos trabalhadores.
O que a cartilha aborda sobre riscos psicossociais
O material destaca fatores de risco presentes no cotidiano do trabalho, como sobrecarga, pressão por resultados, jornadas extensas e relações conturbadas entre equipes e lideranças, e reforça que a presença desses fatores não significa, necessariamente, o desenvolvimento de um transtorno. A cartilha indica, no entanto, que essa é justamente a razão pela qual a avaliação do ambiente de trabalho se torna tão relevante: quanto antes esses fatores são identificados, maior a chance de adotar medidas preventivas antes que o quadro evolua para um adoecimento mais grave.
Entre os temas tratados está a síndrome de burnout, descrita como um distúrbio de esgotamento físico e mental provocado pelo estresse crônico associado ao trabalho. Segundo a publicação, o burnout costuma se desenvolver de forma progressiva, acompanhando o desgaste gerado pela exposição contínua a condições adversas no ambiente profissional. Por isso, a cartilha lista sinais de atenção que merecem acompanhamento tanto por parte do próprio trabalhador quanto das lideranças e da equipe de RH, como irritabilidade, ansiedade, cansaço persistente, alterações no sono, dores frequentes, dificuldade de concentração, redução do rendimento e afastamento do convívio social.

Direito à desconexão ganha destaque na publicação
Outro tema central da cartilha é o direito à desconexão, apresentado como medida de preservação da qualidade do trabalho. O material orienta sobre a importância de respeitar períodos de descanso, como intervalos, férias e folgas, reforçando que a desconexão do trabalho fora da jornada contribui diretamente para a saúde mental do trabalhador.
Como nasceu a parceria entre TST e UnB
A produção da cartilha integra a parceria entre o TST e a UnB para o desenvolvimento da campanha institucional “Sua saúde é a fronteira que o trabalho não pode atravessar”. A campanha foi produzida por estudantes de Comunicação Organizacional da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, a partir de um desafio apresentado pelo Tribunal, e contou com revisão técnica do Programa Trabalho Seguro, da Justiça do Trabalho.
O que a cartilha significa para o RH
O lançamento do material reforça, por parte do Judiciário trabalhista, a importância de empresas tratarem os riscos psicossociais como parte da gestão cotidiana, e não apenas como uma exigência formal da NR-1. Para RH e DP, a cartilha pode servir como material de apoio em ações de conscientização interna, treinamentos de lideranças e campanhas de saúde mental, já que resume de forma acessível conceitos que a norma trata de maneira mais técnica.
O destaque dado ao direito à desconexão também é um ponto de atenção prático: empresas que ainda não têm políticas claras sobre contato fora do horário de trabalho, uso de aplicativos corporativos fora da jornada e respeito a férias e folgas podem usar o lançamento da cartilha como gatilho para revisar essas práticas, especialmente diante do ambiente de maior fiscalização sobre riscos psicossociais no país.








