
A Copa do Mundo é um dos poucos eventos capazes de mobilizar milhões de pessoas ao mesmo tempo, atravessando gerações, cargos e áreas de atuação. No Brasil, o impacto é ainda mais intenso. Conversas surgem no café, grupos de mensagens se movimentam e o clima de torcida invade qualquer ambiente. Ignorar esse movimento dentro da empresa é desperdiçar uma oportunidade estratégica.
Para o RH, a Copa do Mundo 2026 pode ser muito mais do que um momento de descontração. Ela pode se tornar uma ferramenta concreta de engajamento, fortalecimento da cultura organizacional e construção de pertencimento. Quando há planejamento, comunicação clara e alinhamento com as lideranças, o evento deixa de ser apenas entretenimento e passa a funcionar como instrumento de gestão de pessoas.
A grande questão não é se a empresa deve fazer algo durante a Copa do Mundo, mas como fazer de forma estruturada, produtiva e juridicamente segura.
Boa leitura!

Brasil na Copa do Mundo 2026: datas, horários e locais
A Copa do Mundo 2026 será realizada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, com sedes nos Estados Unidos, México e Canadá, sendo a primeira edição com três países anfitriões e 48 seleções.
O Brasil está no Grupo C e disputará todos os jogos da fase de grupos nos Estados Unidos. Confira a programação:
- 13 de junho (19h – horário de Brasília)
Brasil x Marrocos
📍 MetLife Stadium – Nova Jersey - 19 de junho (22h – horário de Brasília)
Brasil x Haiti
📍 Lincoln Financial Field – Filadélfia - 24 de junho (19h – horário de Brasília)
Brasil x Escócia
📍 Hard Rock Stadium – Miami
Com partidas em estádios de grande capacidade e em cidades estratégicas, a expectativa é de forte presença da torcida brasileira durante toda a fase de grupos.
Copa do Mundo nas empresas: oportunidade estratégica para o RH
A Copa do Mundo cria algo raro no ambiente corporativo: engajamento espontâneo. Pessoas de diferentes áreas, níveis hierárquicos e perfis se conectam por um interesse comum. Esse fenômeno reduz barreiras formais, aproxima lideranças e cria um ambiente emocionalmente mais aberto.
Quando o RH enxerga esse cenário de forma estratégica, consegue transformar entusiasmo coletivo em fortalecimento de valores institucionais. Disciplina, estratégia, colaboração, foco em resultado e trabalho em equipe são conceitos que fazem parte tanto do futebol quanto da rotina empresarial. A diferença está em como esses elementos são trabalhados.
Antes de definir ações, é indispensável organizar os aspectos operacionais. A empresa permitirá flexibilização de jornada? Haverá banco de horas? Será concedido day off? As pausas serão compensadas? O negócio comporta interrupções durante o expediente?
Essas decisões precisam ser formalizadas e comunicadas com antecedência.

1. Experiência temática: identidade visual e clima organizacional
Trazer o clima da Copa do Mundo para dentro da empresa não é apenas uma questão estética. É uma estratégia de construção de experiência. Elementos visuais como bandeiras, painéis temáticos, camisetas personalizadas e espaços para fotos ajudam a materializar o momento e criam uma atmosfera coletiva.
No modelo presencial, a decoração transforma o ambiente físico e reforça o senso de participação. Já no modelo remoto ou híbrido, a experiência pode acontecer por meio de assinaturas de e-mail personalizadas, fundos de reunião, kits enviados para a casa dos colaboradores ou até desafios visuais nas plataformas internas.
O ponto central não é a decoração em si, mas o que ela simboliza: pertencimento. Quando o colaborador percebe que a empresa reconhece um momento cultural relevante e o incorpora à rotina de forma organizada, a percepção de humanização aumenta.
2. Flexibilização estratégica durante a Copa do Mundo
A legislação brasileira não determina feriado nos dias de jogos da seleção na Copa do Mundo. Isso significa que, na prática, são dias normais de trabalho. Justamente por isso, a decisão sobre flexibilização precisa ser consciente e planejada.
Algumas empresas optam por banco de horas. Outras concedem ajustes pontuais de jornada, home office estratégico ou até day off em jogos específicos. O importante é que qualquer decisão esteja documentada e comunicada formalmente.
A transparência é o que sustenta a cultura de confiança. Quando as regras são claras, reduz-se o risco de faltas injustificadas, advertências ou ruídos entre líderes e equipes. A Copa do Mundo pode ser um momento de integração, mas não pode comprometer a previsibilidade operacional.

3. Transmissão dos jogos e rituais coletivos
Disponibilizar um espaço para assistir aos jogos da Copa do Mundo dentro da empresa pode ser uma das ações mais eficazes de integração. O simples ato de reunir pessoas para torcer cria uma memória coletiva que ultrapassa o evento esportivo.
Se a transmissão ocorrer nas dependências da empresa, o colaborador permanece à disposição da organização, portanto não deve haver desconto de horas. Esse cuidado jurídico é fundamental.
No modelo remoto, alternativas como envio de vouchers, kits temáticos ou encontros virtuais antes ou depois dos jogos ajudam a manter a experiência compartilhada. Esses pequenos rituais reforçam vínculos e estimulam conversas que dificilmente aconteceriam em um contexto estritamente formal.
4. Engajamento estruturado: desafios, quizzes e bolões
O bolão da Copa do Mundo é quase uma tradição nacional. Porém, é importante atenção às regras. Dependendo do formato e da existência de valores financeiros envolvidos, pode haver enquadramento como jogo de azar.
Uma alternativa mais segura é estruturar desafios simbólicos, quizzes culturais ou sistemas de pontuação sem envolvimento financeiro. Premiações institucionais, experiências ou reconhecimento interno funcionam muito bem e evitam riscos legais.
Desafios nas redes internas, enquetes sobre resultados, quizzes sobre história das seleções e curiosidades culturais mantêm o clima ativo mesmo nos dias em que o Brasil não joga. Além disso, ajudam a integrar áreas diferentes de forma leve.

5. Saúde, esporte e integração prática
A Copa do Mundo é o momento ideal para reforçar a pauta de saúde física e mental. Campeonatos internos, gincanas esportivas ou copinhas solidárias incentivam movimento, colaboração e bem-estar.
Essas ações não precisam ser complexas. O importante é promover participação voluntária, incluir familiares quando possível e alinhar a atividade aos valores da empresa. Além de gerar engajamento, atividades físicas contribuem diretamente para redução de estresse e fortalecimento de laços.
Quando a empresa associa a Copa do Mundo a práticas saudáveis, amplia o impacto positivo do evento.
6. Álbum de figurinhas corporativo
Uma ação criativa e altamente engajadora é criar um álbum de figurinhas inspirado na Copa do Mundo, com colaboradores como “jogadores”.
A dinâmica pode envolver:
- Troca de figurinhas entre áreas
- Distribuição por metas atingidas
- Quizzes para liberar novas figurinhas
- Reconhecimento de talentos internos
Essa estratégia reforça integração e aproxima colaboradores de diferentes setores de forma leve e divertida.

7. Comunicação interna temática
A comunicação é o pilar central para o sucesso de qualquer ação na Copa do Mundo.
Boas práticas incluem:
- Informar horários dos jogos
- Explicar regras de compensação
- Enviar newsletters temáticas
- Criar quizzes e desafios culturais
- Estimular compartilhamento de fotos
Empresas híbridas podem incentivar colaboradores a publicar registros assistindo aos jogos com família ou colegas e essa troca fortalece as conexões emocionais e amplia o senso de comunidade.
Atenção às regras trabalhistas na Copa do Mundo
Alguns pontos exigem cuidado especial:
- Faltas injustificadas podem gerar desconto salarial e advertência.
- Após reincidências, pode haver demissão por justa causa.
- Trabalho em feriados deve seguir a legislação vigente.
- Consumo de álcool, se permitido, deve ser moderado para evitar riscos disciplinares.
O papel do RH é garantir que a celebração da Copa do Mundo não ultrapasse limites legais ou comprometa a segurança do ambiente corporativo.

Planejamento é o que transforma entusiasmo em estratégia
A Copa do Mundo não deve ser tratada como improviso. Especialistas recomendam planejamento com pelo menos 45 dias de antecedência para organizar orçamento, fornecedores, comunicação interna e alinhamento com lideranças.
Quanto maior a empresa, maior a necessidade de organização. Pesquisas internas rápidas podem ajudar a entender quais ações geram mais adesão. O planejamento reduz custos, evita retrabalho e aumenta o impacto positivo das iniciativas.
Concluindo
A Copa do Mundo acontece a cada quatro anos, mas o fortalecimento da cultura organizacional pode permanecer por muito mais tempo. Quando o RH atua de forma estratégica, o evento deixa de ser apenas entretenimento e se torna ferramenta de engajamento real.
Funcionários motivados trabalham melhor em equipe, colaboram com mais facilidade e se sentem parte de algo maior. Aproveitar a Copa do Mundo de maneira estruturada é reconhecer que cultura se constrói também nos momentos de celebração.







