
A Licença Casamento é um direito trabalhista garantido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, apesar de parecer simples à primeira vista, ainda gera muitas dúvidas entre colaboradores, gestores e até profissionais de Recursos Humanos e Departamento Pessoal. Quantos dias são concedidos? Eles são úteis ou corridos? O que acontece se o casamento cair nas férias? E se houver convenção coletiva?
Neste artigo, reunimos tudo o que o RH precisa saber sobre a Licença Casamento, também chamada de licença gala, explicando as regras legais, situações especiais, boas práticas de gestão e os cuidados necessários para evitar conflitos e riscos trabalhistas.
Boa leitura!

1 – O que é a Licença Casamento?
A Licença Casamento, conhecida juridicamente como licença gala, é o período de afastamento remunerado concedido ao trabalhador em razão do seu casamento civil. Durante esse afastamento, o empregado pode deixar de comparecer ao trabalho sem qualquer prejuízo ao salário ou aos benefícios.
É importante reforçar que a Licença Casamento não é um benefício opcional, nem um presente concedido pela empresa. Trata-se de um direito previsto em lei, que deve ser respeitado por todas as organizações que mantêm empregados sob o regime da CLT.
2 – O que diz a CLT sobre a Licença Casamento?
A base legal da Licença Casamento está no artigo 473 da CLT. De acordo com o texto, o empregado pode se ausentar do trabalho, sem prejuízo do salário, por até 3 dias consecutivos em virtude de casamento.
O ponto de atenção para o RH está justamente na expressão “dias consecutivos”, pois a lei não utiliza o termo “dias úteis”. Isso impacta diretamente a forma de contagem do período de afastamento e costuma gerar dúvidas entre os colaboradores.

3 – Quantos dias dura a Licença Casamento?
De forma geral, a Licença Casamento tem duração de 3 dias consecutivos para trabalhadores contratados pelo regime CLT. Esses dias incluem o dia do casamento e os dias seguintes, independentemente de serem úteis ou não.
No entanto, esse prazo pode ser maior em alguns casos específicos:
- Professores: podem ter direito a até 9 dias consecutivos.
- Servidores públicos federais: têm direito a 8 dias consecutivos.
- Categorias com convenção coletiva: acordos coletivos podem ampliar a Licença Casamento para 5, 7 dias ou mais.
Por isso, é fundamental que o RH consulte sempre a convenção coletiva da categoria antes de aplicar a regra padrão.
4 – Como funciona a contagem da Licença Casamento?
A Licença Casamento começa a ser contada a partir do dia do casamento civil. A partir daí, contam-se três dias consecutivos.
Veja alguns exemplos práticos:
Casamento durante a semana
Se o casamento ocorrer em uma terça-feira, a Licença Casamento será na terça, quarta e quinta-feira.
Casamento na sexta-feira
Se o casamento for realizado em uma sexta-feira, os três dias consecutivos serão sexta, sábado e domingo. Nesse caso, não há “transferência” automática para a semana seguinte, salvo previsão em acordo coletivo.
Casamento no fim de semana
Se o colaborador se casar no sábado ou domingo, a contagem começa nesse dia. No entanto, como a jurisprudência entende que os dias devem coincidir com dias em que o empregado trabalharia, muitos RHs consideram a folga na segunda, terça e quarta-feira, quando não há expediente aos fins de semana.
Esse é um ponto sensível e deve ser tratado com clareza nas políticas internas da empresa.

5 – Licença Casamento durante as férias: o que acontece?
Se o casamento ocorrer durante o período de férias, o trabalhador não tem direito à Licença Casamento. Isso acontece porque, legalmente, ele já está afastado do trabalho.
Ou seja, os três dias da Licença Casamento não são acumuláveis nem podem ser utilizados posteriormente. Por isso, o planejamento é essencial, e o RH pode orientar o colaborador a tentar agendar as férias após a licença, quando possível.
6 – Casamento civil e religioso: vale duas vezes?
Não. Mesmo que o casamento civil e o religioso aconteçam em datas diferentes, a Licença Casamento só pode ser usufruída uma única vez.
Para fins legais, a legislação considera o casamento civil, registrado em cartório. Caso a empresa permita, por política interna, que a licença seja utilizada na data da cerimônia religiosa, isso deve ser alinhado previamente com o RH. Em nenhum caso o benefício pode ser dividido ou duplicado.

7 – Quem tem direito à Licença Casamento?
Têm direito à Licença Casamento:
- Trabalhadores com carteira assinada (CLT)
- Trabalhadores terceirizados com vínculo formal
- Empregados domésticos
- Professores e servidores públicos, conforme regras específicas
Não têm direito automático:
- Estagiários
- Trabalhadores informais
- Profissionais PJ ou autônomos
Apesar disso, muitas empresas optam por estender a licença de casamento a estagiários e PJs como boa prática de gestão de pessoas, evitando diferenciações excessivas entre equipes.
8 – Licença Casamento e trabalhadores que já se casaram antes
O fato de o colaborador já ter sido casado anteriormente não elimina o direito à Licença Casamento em um novo matrimônio. Cada casamento gera um novo direito ao afastamento, desde que o vínculo empregatício esteja ativo.

9 – Como solicitar a Licença Casamento?
Embora a CLT não estabeleça um prazo formal, é altamente recomendável que o colaborador comunique o RH com antecedência mínima de 30 dias.
Boas práticas incluem:
- Solicitação formal por e-mail ou sistema interno
- Alinhamento prévio com o gestor
- Apresentação da certidão de casamento civil após o retorno
Cabe ao Departamento Pessoal registrar corretamente os dias da Licença Casamento para evitar descontos indevidos ou registros como falta injustificada.
10 – E se a empresa se recusar a conceder a Licença Casamento?
A empresa não pode se recusar a conceder a Licença Casamento, pois esse é um direito trabalhista garantido pela CLT. Quando o empregador ignora ou nega esse afastamento, o trabalhador tem caminhos legais para reivindicar o cumprimento da lei. O primeiro deles é buscar apoio junto à Superintendência Regional do Trabalho, que pode intermediar a situação por meio de um fiscal.
O sindicato da categoria também pode atuar como representante do trabalhador, orientando e mediando o conflito com a empresa. Caso nenhuma dessas alternativas resolva, o empregado ainda pode recorrer à Justiça do Trabalho para garantir seus direitos.
A negativa da Licença Casamento pode gerar consequências sérias para a empresa, como a aplicação de penalidades, pagamento de indenizações e outras sanções trabalhistas. Em situações mais graves, quando há descumprimento reiterado das obrigações contratuais, o trabalhador pode inclusive solicitar a chamada rescisão indireta.
Nesse tipo de desligamento, o empregado pede judicialmente o fim do contrato e recebe todos os direitos de uma demissão sem justa causa, como aviso-prévio, FGTS com multa e demais verbas rescisórias.

11 – O papel do DP na gestão da Licença Casamento
O Departamento Pessoal tem papel central na correta aplicação da Licença Casamento, pois é responsável por garantir que o direito seja concedido conforme a legislação trabalhista e os acordos coletivos vigentes. Falhas na contagem dos dias, registros incorretos no ponto ou a falta de documentação adequada podem gerar descontos indevidos, inconsistências na folha de pagamento e até passivos trabalhistas.
Por isso, o DP precisa dominar as regras da CLT, entender como funcionam os dias consecutivos e verificar se há previsões específicas na convenção coletiva da categoria.
Além do aspecto legal e operacional, a atenção do DP à Licença Casamento contribui para a organização interna e para a segurança jurídica da empresa. Processos bem definidos, comunicação clara com o colaborador e registros corretos evitam conflitos, retrabalho e questionamentos futuros.
Ao atuar de forma preventiva e alinhada com o RH, o Departamento Pessoal assegura o cumprimento da lei, protege a empresa de riscos e contribui para uma experiência positiva do colaborador em um momento importante da sua vida pessoal.
12 – Por que o RH deve ter atenção?
Mais do que cumprir uma exigência legal, a forma como a empresa e o RH lidam com a Licença Casamento influencia diretamente a experiência do colaborador. Esse é um momento importante na vida pessoal do trabalhador, e a maneira como a organização conduz o processo pode reforçar sentimentos de valorização ou, ao contrário, gerar frustração e insegurança.
Quando a Licença Casamento é tratada com clareza, organização e respeito, o impacto positivo se reflete no clima organizacional. Colaboradores tendem a perceber a empresa como justa e humana, o que contribui para o aumento do engajamento e para a retenção de talentos.
Além disso, demonstrações simples de cuidado, como orientações bem estruturadas, comunicação transparente e até ações simbólicas de celebração, quando alinhadas à cultura da empresa, fortalecem a confiança no RH e ajudam a consolidar uma cultura organizacional baseada no respeito aos direitos trabalhistas e às pessoas.

13 – Boas práticas para o RH na gestão da Licença Casamento
1. Tenha uma política interna clara
Defina prazos, documentos necessários e regras de contagem.
2. Oriente os colaboradores com antecedência
Evite dúvidas e frustrações próximas à data do casamento.
3. Atue com discrição
Informações pessoais devem ser tratadas com cuidado e respeito.
4. Use o momento para fortalecer a cultura
Quando alinhado ao perfil da empresa, pequenas ações de reconhecimento reforçam o employer branding.
Concluindo
A Licença Casamento é um direito trabalhista garantido pela CLT e deve ser tratada pelo DP e RH com atenção técnica e organizacional. Ter regras claras, conhecer a legislação e as convenções coletivas e orientar corretamente os colaboradores evita falhas operacionais, conflitos internos e possíveis passivos trabalhistas. Mais do que cumprir a lei, o papel do RH é garantir que esse direito seja aplicado de forma correta, transparente e alinhada às políticas da empresa.
Além do aspecto legal, a forma como a Licença Casamento é conduzida impacta diretamente a experiência do colaborador e o clima organizacional. Quando a empresa demonstra respeito por esse momento pessoal, fortalece a confiança, o engajamento e a percepção de cuidado com as pessoas. Por isso, tratar esse tema com seriedade e sensibilidade é também uma estratégia de gestão de pessoas e de fortalecimento da cultura organizacional.
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