
A saúde mental deixou de ser um tema secundário nas empresas. Hoje, ela faz parte das discussões estratégicas sobre produtividade, clima organizacional, retenção de talentos e, principalmente, conformidade legal. O último webinar da Jornada NR-1 abordou saúde mental no trabalho, riscos psicossociais, penalidades da NR-1, prevenção de passivos trabalhista.
Com as atualizações da NR-1, as empresas passaram a ter a obrigação de incluir os riscos psicossociais dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, isso significa que fatores como assédio, pressão excessiva, jornadas exaustivas e lideranças tóxicas precisam ser identificados, monitorados e tratados formalmente.
Esse foi um dos principais temas debatidos durante a Jornada NR-1 da QuarkRH, em um webinar conduzido pela neuropsicóloga e psicóloga organizacional Anna Cândida. O encontro trouxe orientações práticas sobre riscos, penalidades e estratégias para evitar passivos trabalhistas relacionados à saúde mental.
A NR-1 agora exige atenção aos riscos psicossociais
A NR-1 não é uma norma nova, mas sua atualização pelo Ministério do Trabalho, trouxe uma mudança importante: a inclusão formal dos riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Isso muda completamente a forma como as empresas precisam enxergar a saúde mental no ambiente corporativo.
Antes, muitas organizações tratavam o tema apenas em ações pontuais, como campanhas de conscientização ou iniciativas isoladas de bem-estar. Agora, a prevenção precisa fazer parte da rotina da empresa, com processos estruturados, acompanhamento contínuo e documentação adequada.
Mais do que uma obrigação legal, essa mudança também reflete uma necessidade real do mercado. Empresas que negligenciam a saúde mental enfrentam aumento de afastamentos, queda de produtividade, turnover elevado e riscos trabalhistas cada vez maiores.

Quais são os principais riscos psicossociais?
Segundo Anna Cândida, os riscos psicossociais são fatores do ambiente e da organização do trabalho que podem causar adoecimento físico e emocional nos colaboradores.
Entre os principais exemplos citados no webinar estão:
- Metas abusivas e pressão constante;
- Assédio moral e sexual;
- Falta de reconhecimento;
- Conflitos frequentes entre equipes;
- Falta de clareza sobre funções e expectativas;
- Insegurança psicológica;
- Lideranças despreparadas;
- Jornadas excessivas de trabalho;
- Dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Esses fatores impactam diretamente a saúde emocional das equipes e podem desencadear quadros como ansiedade, estresse crônico, depressão e burnout.
Além disso, muitos desses problemas acabam se transformando em ações trabalhistas, afastamentos pelo INSS e prejuízos financeiros para a empresa.
Saúde mental precisa ser tratada como prevenção
Durante o webinar, Anna Cândida comparou a gestão da saúde mental a um verdadeiro “EPI da saúde emocional”.
Ou seja: não basta agir apenas quando o problema aparece. A empresa precisa atuar preventivamente, criando mecanismos para identificar riscos e reduzir impactos antes que eles se transformem em crises maiores.
Para isso, é fundamental:
- Mapear os riscos psicossociais;
- Avaliar o nível de impacto em cada setor;
- Implementar ações de prevenção;
- Criar canais seguros de escuta;
- Capacitar lideranças;
- Monitorar indicadores internos;
- Revisar continuamente as estratégias adotadas.
A gestão da saúde mental precisa ser contínua, porque o ambiente de trabalho muda o tempo todo.
O que pode acontecer com empresas que não se adequarem?
A fiscalização sobre saúde mental no trabalho vem aumentando significativamente nos últimos anos.
Isso acontece porque os afastamentos relacionados a transtornos emocionais cresceram de forma expressiva, gerando impactos diretos na Previdência Social e nos custos trabalhistas das empresas.
Entre as principais consequências do descumprimento da NR-1 estão:
- Multas e autuações;
- Ações civis públicas;
- Indenizações trabalhistas;
- Aumento do FAP (Fator Acidentário de Prevenção);
- Danos à reputação da empresa;
- Maior índice de turnover e absenteísmo.
Além disso, empresas que não conseguem comprovar ações preventivas ficam muito mais vulneráveis em auditorias e processos judiciais.
O papel das lideranças na prevenção de passivos trabalhistas
Um dos pontos mais reforçados no webinar foi o impacto das lideranças na saúde mental das equipes.
Gestores despreparados estão entre as maiores causas de conflitos internos, afastamentos e processos trabalhistas.
Por isso, investir no desenvolvimento das lideranças deixou de ser apenas uma ação de gestão de pessoas — passou a ser uma medida de proteção organizacional.
Os líderes precisam saber:
- Como cobrar resultados sem gerar adoecimento;
- Como dar feedbacks construtivos;
- Como identificar sinais de esgotamento emocional;
- Como mediar conflitos;
- Como criar ambientes psicologicamente seguros.
A cultura da empresa começa pela liderança. Quando ela falha, os riscos aumentam rapidamente.
Cultura de escuta: um diferencial estratégico
No webinar também foi abordado outro ponto essencial que é criar espaços onde os colaboradores possam se expressar sem medo de retaliação.
Empresas que desenvolvem uma cultura de escuta conseguem identificar problemas antes que eles se agravem.
Isso inclui:
- Pesquisas de clima;
- Feedbacks estruturados;
- Canais de denúncia;
- Acompanhamento psicológico;
- Conversas individuais;
- Programas de desenvolvimento humano.
Além de reduzir riscos trabalhistas, essa postura fortalece o engajamento e melhora o clima organizacional.
Como a tecnologia ajuda na gestão da NR-1
A tecnologia também tem um papel importante na prevenção de riscos psicossociais.
Durante o webinar, foi apresentado o Canal de Denúncias da QuarkRH, uma solução que permite registrar ocorrências com anonimato, acompanhar tratativas e manter toda a documentação organizada.
Esse tipo de ferramenta ajuda a empresa a:
- Garantir sigilo e segurança para os colaboradores;
- Centralizar denúncias e acompanhamentos;
- Criar histórico de tratativas;
- Facilitar auditorias;
- Demonstrar conformidade com a NR-1;
- Reduzir riscos de passivos trabalhistas.
Além disso, a documentação das ações preventivas se tornou um fator essencial para comprovar que a empresa está atuando corretamente.
Investir em saúde mental é investir no futuro da empresa
Por fim, o webinar mostrou que a atualização da NR-1 deixou claro que saúde mental faz parte da segurança do trabalho.
Empresas que tratam o tema apenas como tendência ou benefício estão ficando para trás — e se expondo a riscos legais, financeiros e reputacionais cada vez maiores.
Por outro lado, organizações que adotam uma postura preventiva conseguem construir ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Mais do que cumprir uma obrigação legal, cuidar da saúde mental significa fortalecer pessoas, reduzir prejuízos e criar empresas mais preparadas para o futuro.








