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74% usam IA como apoio emocional no trabalho

Estudo mostra que 74% dos profissionais usam IA como apoio emocional no trabalho, mas a solidão ainda preocupa RHs e empresas.
Mulher profissional trabalhando com IA com teor emocional em um laptop em um escritório moderno e iluminado, com mesa de madeira, caneca e janela grande ao fundo com vista urbana.

Estudo de Harvard revela que colaboradores recorrem à inteligência artificial para suporte emocional, mas mais da metade segue se sentindo sozinha no trabalho, e o RH precisa agir.

O uso da inteligência artificial no ambiente corporativo entrou em uma nova fase. Além de ganhos de produtividade, colaboradores estão recorrendo a ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini para algo até pouco tempo restrito às relações humanas: conversar sobre carreira, desabafar sobre o expediente e até buscar companhia durante o trabalho. Um estudo publicado na Harvard Business Review mostra que esse movimento é mais amplo do que parece, e traz riscos relevantes para a gestão de pessoas.

A pesquisa, assinada por Constance Noonan Hadley, da Boston University Questrom School of Business, e Sarah L. Wright, da University of Canterbury Business School, ouviu 1.545 trabalhadores do conhecimento nos Estados Unidos. O resultado escancara uma transformação silenciosa na forma como vínculos profissionais estão sendo construídos, ou enfraquecidos, pelos novos recursos digitais.

Recursos digitais como apoio emocional: o novo comportamento dos colaboradores

Segundo o estudo, 74% dos profissionais usam soluções automatizadas para alguma forma de suporte emocional ou social tradicionalmente oferecido por colegas, como aconselhamento de carreira, validação emocional e escuta em momentos de estresse. A mudança de comportamento aparece em detalhes que chamam atenção das pesquisadoras: 78% dos colaboradores usam expressões de cortesia como “por favor” e “obrigado” ao falar com os assistentes virtuais, e 28% se referem às soluções como “assistente pessoal”, “colega de equipe” ou “amigo”, em vez de “ferramenta” ou “plataforma”.

De acordo com as autoras, esse vocabulário revela uma transição psicológica importante. Esses recursos deixaram de ser percebidos apenas como utilitários e passaram a ocupar espaço relacional dentro das organizações.

O paradoxo: mais automação, mesma solidão

Apesar do uso crescente dessas soluções como confidentes, o sentimento de isolamento no trabalho não recuou. Mais da metade dos 1.545 trabalhadores pesquisados afirmou se sentir sozinha no expediente, fator associado a menor satisfação profissional e maior intenção de pedir demissão. Apenas 12% disseram que a interação com os assistentes virtuais os fez sentir menos sozinhos.

Os impactos no negócio são concretos. Trabalhadores solitários relatam 27% menos satisfação com o trabalho e uma intenção 90% maior de pedir demissão em comparação a colegas com bons vínculos no ambiente corporativo. Para o RH, esses números se traduzem em turnover, queda de engajamento e aumento do custo de retenção de talentos.

Um dos participantes do estudo resumiu a sensação de forma precisa: “Esses recursos funcionam como um fantasma prestativo no escritório: sempre presente e responsivo, mas nunca verdadeiramente presente.”

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Os riscos invisíveis para a cultura organizacional

Hadley e Wright identificam quatro mecanismos pelos quais o uso desregulado dessas soluções pode corroer os laços organizacionais: a colaboração se esvazia, as habilidades sociais se atrofiam, os pequenos atos de pedir ajuda, que constroem confiança e gratidão mútua, desaparecem, e surgem o que uma das entrevistadas chamou de “amizades falsas”.

Esse cenário preocupa especialistas em gestão de pessoas. Quando o colaborador deixa de pedir ajuda ao colega ao lado e passa a recorrer exclusivamente a um assistente virtual, perde-se a oportunidade de fortalecer vínculos que sustentam cultura, mentoria informal e desenvolvimento de soft skills. Ao mesmo tempo, a ausência desses microcontatos enfraquece a percepção de pertencimento, um dos principais preditores de engajamento e retenção.

O que o RH precisa fazer diante desse novo cenário

A pesquisa não defende restringir o uso desses recursos, mas governá-los com inteligência humana. As autoras recomendam cinco medidas para empresas que querem capturar os ganhos das soluções digitais sem corroer sua cultura: monitorar o impacto social dessas ferramentas, estabelecer diretrizes claras de uso, projetar ambientes que fomentem interação humana, empregar sistemas digitais para organizar atividades sociais e treinar colaboradores no uso saudável dos recursos.

Na prática, isso exige do RH políticas internas que ultrapassem a segurança da informação. É preciso orientar quando usar soluções automatizadas, quando recorrer a um colega e quando buscar apoio profissional, como programas de saúde mental e EAP. Rotinas de contato humano, como check-ins presenciais, rituais de equipe e encontros 1:1, também precisam ser intencionalmente protegidas na agenda corporativa.

O debate ainda se conecta à agenda ESG e ao compliance trabalhista. No Brasil, a atualização da NR-1, que passou a exigir gestão de riscos psicossociais nas empresas, reforça a urgência de tratar o uso dessas soluções como pauta de saúde mental, e não apenas de inovação.

A liberação do uso desses recursos como apoio emocional no trabalho representa um novo capítulo das relações entre inovação, cultura e bem-estar. Para o RH e líderes empresariais, o momento é estratégico: garantir que os recursos digitais fortaleçam, e não substituam – as conexões humanas deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade em um cenário corporativo cada vez mais digital.

Foto de Cinara Medeiros

Cinara Medeiros

Bacharelanda em Comunicação Social - Publicidade & Propaganda. Atua nas áreas de Marketing Digital e redação focada em SEO.
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