
Levantamento com base em dados do Fórum Econômico Mundial, do LinkedIn e do London Institute of Banking and Technology aponta as funções mais vulneráveis ao avanço da inteligência artificial e da automação na próxima década.
O avanço da inteligência artificial e da automação deve transformar o mercado de trabalho global nos próximos anos. Segundo o levantamento, 21 cargos de empregos estão entre os mais ameaçados por esse processo, com risco de desaparecer total ou parcialmente até 2030. As funções mais suscetíveis à extinção são aquelas ligadas a processos manuais, repetitivos e previsíveis características que facilitam a substituição por sistemas automatizados.
Um estudo complementar da consultoria global McKinsey reforça esse cenário. Segundo a análise, o impacto da IA e da automação pode eliminar os empregos de até 12 milhões de profissionais somente nos Estados Unidos e na Europa nos próximos cinco anos, forçando uma parcela significativa da força de trabalho a mudar de carreira. A consultoria destaca que atividades como assistência jurídica, contabilidade e processamento de transações administrativas estão entre as mais expostas a essa substituição.
Quais funções estão na lista de risco
Boa parte dos cargos apontados está concentrada em serviços postais, bancários e de atendimento ao público — casos de atendentes dos correios, caixas de banco e atendentes similares, digitadores de dados e operadores de caixa e bilheteiros. Essas funções costumam seguir procedimentos padronizados, o que facilita a automação por meio de plataformas digitais e caixas eletrônicos inteligentes.
Na área administrativa e de gestão de escritório, o levantamento cita assistentes administrativos e secretários executivos, profissionais de impressão, além de contadores, auxiliares de contabilidade e de folha de pagamento. Também aparecem funções ligadas a estoque e logística, como auxiliares de controle de estoque e registro de materiais, atendentes e condutores de transporte, funcionários de logística e separação em armazéns, operadores de linha de montagem e operadores de máquinas.
O setor jurídico também é impactado: oficiais jurídicos e secretários jurídicos estão entre os cargos listados, assim como reguladores, avaliadores e investigadores de sinistros e analistas de seguros. Completam a relação vendedores de porta em porta, jornaleiros e ambulantes, designers gráficos, operadores de telemarketing, profissionais de cargos básicos de suporte em TI e agentes de viagens.

O outro lado: criação de novos empregos
Apesar do cenário de risco, o mesmo levantamento aponta um contraponto relevante para a gestão de pessoas. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a transformação do mercado de trabalho também deve gerar cerca de 170 milhões de novos empregos até o fim da década — muitos deles em funções que ainda nem existem hoje.
Esse crescimento é impulsionado por fatores como a transição para economias mais sustentáveis, o avanço tecnológico e da inteligência artificial, e mudanças estruturais em diferentes setores produtivos. A criação de cargos como “diretor de IA” (Chief AI Officer), impensável há poucos anos, ilustra a velocidade dessa reconfiguração e a demanda por perfis profissionais com novas habilidades técnicas e analíticas.
O que isso significa para a gestão de RH
Para as áreas de RH e DP, esse cenário reforça a urgência de planejar a requalificação profissional dentro das organizações. Cargos operacionais e administrativos que hoje sustentam parte da força de trabalho tendem a ser gradualmente substituídos por processos automatizados, o que exige antecipação por parte das empresas — tanto para reduzir o impacto sobre equipes atuais quanto para atrair talentos com competências emergentes.
Investir em programas internos de capacitação, mapear quais funções da própria empresa estão mais expostas a esse tipo de transformação e criar planos de transição de carreira são medidas que já começam a aparecer nas agendas estratégicas de RH mais atentas ao mercado de trabalho do futuro. Empresas que se anteciparem a esse movimento tendem a enfrentar com menos disrupção os próximos anos de reconfiguração profissional.








