
Levantamento do Infojobs mostra que vagas totalmente remotas recebem, em média, mais de nove vezes o volume de candidaturas registrado em posições presenciais — um dado que pode se tornar diferencial competitivo para pequenas e médias empresas na disputa por talentos.
Segundo o levantamento, referente a maio de 2026, vagas em home office recebem em média 620,9 candidaturas por oportunidade, contra 65,8 candidaturas nas posições presenciais. O modelo híbrido fica em posição intermediária, com 73,6 candidaturas por vaga em média.
Em números absolutos, o Infojobs contabilizou 2.427 vagas em home office no período, que somaram mais de 1,5 milhão de candidaturas. Já as 212.656 vagas presenciais registradas somaram quase 14 milhões de candidaturas ao todo. No modelo híbrido, foram 8.273 vagas e pouco mais de 609 mil candidaturas. Apesar de representarem uma fatia pequena do total de oportunidades disponíveis, as vagas totalmente remotas concentram um interesse proporcionalmente muito maior por parte dos candidatos.
Por que isso importa para pequenas e médias empresas
Em um mercado em que PMEs disputam profissionais com grandes companhias, oferecer flexibilidade pode se tornar um diferencial relevante na atração de talentos. Patrícia Suzuki, diretora de Pessoas & Cultura da Redarbor Brasil, empresa detentora do Infojobs, avalia que uma PME nem sempre consegue competir com grandes organizações em reconhecimento de marca ou estrutura, mas pode encontrar em sua proposta de trabalho outros diferenciais competitivos. Segundo ela, ampliar a flexibilidade — quando a atividade permite — também amplia o universo de profissionais dispostos a considerar aquela oportunidade.
Outro efeito do home office é a possibilidade de ampliar geograficamente a busca por candidatos. Uma empresa que antes dependia principalmente de profissionais próximos à sua operação passa a poder considerar talentos de outras cidades e regiões, desde que a função permita esse formato de trabalho. Para PMEs, essa mudança pode reduzir uma limitação recorrente do recrutamento: a dificuldade de encontrar profissionais com competências específicas no mercado local.

O desafio da triagem em massa
O interesse elevado por vagas home office também cria um novo obstáculo para as equipes de RH. Se uma única oportunidade pode receber centenas de candidaturas, as empresas precisam estar preparadas para realizar uma triagem eficiente e identificar os profissionais mais aderentes à posição.
Patrícia Suzuki avalia que atrair um grande volume de candidatos resolve apenas parte do desafio do processo seletivo. Segundo ela, quando uma vaga alcança um público muito maior, a empresa precisa estar preparada para fazer essa triagem com eficiência. Ela destaca que, em PMEs, que costumam contar com equipes de RH menores —, investir em tecnologia e definir critérios de seleção bem estruturados se torna ainda mais importante para dar conta dessa demanda.
O que muda na estratégia de recrutamento
Nesse cenário, a discussão para as PMEs deixa de ser apenas sobre oferecer ou não o modelo home office e passa também por como estruturar processos seletivos capazes de aproveitar o maior interesse dos profissionais sem aumentar a complexidade da contratação. Flexibilidade, clareza na descrição das vagas e uso de tecnologia de triagem podem ajudar empresas menores a competir pela atenção dos candidatos de forma mais eficiente.
Para os times de RH e DP, o dado reforça uma reflexão prática: antes de abrir uma vaga remota, vale mapear se a equipe tem estrutura para lidar com o volume de candidaturas esperado. Sem esse preparo, o próprio sucesso da divulgação pode se transformar em um gargalo operacional no processo seletivo.








