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Escassez de competências desafia o RH na era da IA

McKinsey revela os principais desafios do RH em 2026 diante da IA, escassez de competências e novas demandas do trabalho.
Equipe em escritório corporativo apresenta competências e dados de RH em um telão com gráficos e indicadores de talentos, enquanto profissionais discutem com tablets e notebooks durante reunião.

A área de Recursos Humanos está diante de uma das maiores transformações de sua história. Pressões econômicas, avanço da inteligência artificial e mudanças nas expectativas dos profissionais estão obrigando empresas a rever como contratam, desenvolvem talentos e planejam suas equipes.

É o que mostra o HR Monitor 2026, estudo da McKinsey que ouviu cerca de 1.300 profissionais de RH e 5.500 trabalhadores em dez países. O levantamento indica que muitas organizações avançaram em processos e tecnologia nos últimos anos, mas ainda enfrentam desafios importantes para conectar estratégia, desenvolvimento de competências e adoção efetiva da inteligência artificial.

Além da adoção de novas tecnologias, o estudo destaca que as lideranças empresariais passaram a exigir do RH uma atuação mais conectada aos resultados do negócio. Questões como produtividade, retenção de talentos, sucessão de lideranças e adaptação das equipes às mudanças do mercado deixaram de ser temas exclusivamente operacionais e passaram a integrar discussões estratégicas nas organizações.

O cenário coloca o RH em uma posição decisiva: assumir um papel protagonista na transformação das empresas ou correr o risco de perder espaço para outras áreas mais preparadas para liderar a agenda tecnológica.

Planejamento de pessoas e desenvolvimento de competências ainda estão desalinhados

Um dos principais alertas do estudo está relacionado ao planejamento da força de trabalho. Embora a transformação digital esteja mudando rapidamente as competências exigidas pelas empresas, a maioria das organizações continua concentrando seus esforços em necessidades de curto prazo.

Segundo a pesquisa, apenas 11% das empresas adotam uma visão estratégica e de longo prazo para o planejamento da força de trabalho. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por competências ligadas à análise de dados, interpretação de resultados gerados por IA e habilidades humanas, enquanto atividades rotineiras tendem a perder relevância.

A pesquisa também mostra que o desenvolvimento profissional continua fragmentado em muitas organizações. Cerca de 24% dos trabalhadores afirmam não ter participado de nenhum treinamento, enquanto mais da metade recebe feedback apenas uma vez por ano ou sequer recebe avaliações regulares.

Outro ponto observado pela pesquisa é a necessidade de tornar o aprendizado mais contínuo e personalizado. Em um cenário de rápida transformação tecnológica, competências consideradas relevantes hoje podem se tornar insuficientes em poucos anos. Por isso, empresas vêm buscando modelos de capacitação mais dinâmicos, capazes de acompanhar as mudanças nas funções e nas demandas do mercado de trabalho.

Para empresas e lideranças, o recado é claro: investir apenas em contratação não será suficiente. O desafio do RH passa pela construção contínua de competências capazes de sustentar a competitividade nos próximos anos.

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Inteligência artificial avança, mas adoção ainda é limitada

Apesar do forte interesse corporativo em inteligência artificial, a McKinsey aponta que a maioria das organizações ainda está distante de capturar todo o potencial da tecnologia.

Embora existam oportunidades de automação em praticamente todas as funções de RH, a adoção em larga escala permanece restrita. Em muitos casos, os projetos continuam em fase piloto ou concentrados em tarefas administrativas, sem gerar impactos significativos na estratégia de gestão de pessoas.

O estudo destaca que barreiras como sistemas fragmentados, baixa integração de dados e falta de capacitação dificultam a escalabilidade das iniciativas.

A expectativa é que a inteligência artificial também amplie a capacidade analítica das equipes de RH. Ferramentas baseadas em dados já começam a apoiar processos como recrutamento, identificação de lacunas de competências, previsão de rotatividade e planejamento de sucessão. No entanto, especialistas alertam que o uso dessas tecnologias exige governança adequada, transparência e supervisão humana para evitar vieses e garantir decisões mais equilibradas.

Nesse contexto, o papel do RH deixa de ser apenas operacional. A área passa a ser responsável por definir como humanos e tecnologias trabalharão juntos, influenciando diretamente produtividade, experiência dos colaboradores e desempenho organizacional.

O futuro do RH será definido pelas decisões tomadas agora

A McKinsey avalia que a função de Recursos Humanos atravessa um momento decisivo. De um lado, a crescente complexidade dos negócios e a velocidade das mudanças podem fazer com que parte das responsabilidades da área seja absorvida por departamentos de tecnologia e inovação. De outro, existe a oportunidade de o RH assumir protagonismo na construção do futuro do trabalho.

Para isso, será necessário ir além da gestão tradicional de pessoas. Planejamento estratégico da força de trabalho, desenvolvimento contínuo de competências, experiência do colaborador e adoção inteligente de IA passam a integrar uma mesma agenda de transformação.

A experiência do colaborador também aparece como uma prioridade crescente. Benefícios flexíveis, bem-estar, desenvolvimento profissional e oportunidades de crescimento estão entre os fatores que mais influenciam a permanência dos profissionais nas empresas. Nesse contexto, o RH passa a desempenhar um papel central na construção de ambientes de trabalho capazes de atrair, engajar e reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.

As organizações que conseguirem alinhar esses elementos estarão mais preparadas para enfrentar a escassez de talentos, acelerar ganhos de produtividade e construir modelos de trabalho mais sustentáveis.

Foto de Cinara Medeiros

Cinara Medeiros

Bacharelanda em Comunicação Social - Publicidade & Propaganda. Atua nas áreas de Marketing Digital e redação focada em SEO.
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