
O cenário da gestão de pessoas no Brasil exige uma nova mentalidade. Somos campeões mundiais em turnover, lideramos os rankings de ações trabalhistas e perdemos apenas para o Japão em casos de burnout. No mundo, segundo o relatório State of the Global Workplace da Gallup, apenas 20% dos colaboradores se consideram engajados.
Diante desse contexto, o Workshop Gestão de Pessoas de Alta Performance, realizado pela Carbone Educação, em parceria com o QuarkRH, na última terça-feira (16), na sede do Esig Group, em Natal, reuniu profissionais de RH e DP para discutir o que realmente diferencia organizações comuns de organizações de alta performance.
Foram quatro palestras que, juntas, formaram uma jornada completa — da visão estratégica do RH até a atração, integração e desenvolvimento de talentos. Reunimos neste artigo os principais insights compartilhados pelos palestrantes.
Gestão de Pessoas Estratégica — Gleydson Lima, CEO do QuarkRH

Gleydson Lima abriu o workshop com uma provocação direta: a cadeia de lucro funciona como uma balança entre colaborador, cliente e acionista. Quando o RH ou o CEO escolhe apenas um dos lados, todos perdem. O ambiente excelente é aquele que equilibra qualidade para os três — e o papel do RH é fazer com que as pessoas entreguem resultados dentro desse ambiente.
Outro ponto-chave foi a quebra da falsa dicotomia entre RH e negócio. Pesquisas mostram que menos de 1 em cada 4 CEOs recomendaria seu próprio RH para outras empresas — um sintoma claro de desconexão. O RH precisa estar dentro do negócio, e o CEO precisa entender de gestão de pessoas.
Como Gleydson resumiu: não existe mais B2B, B2C ou B2G. Tudo é P2P — pessoa para pessoa. 100% dos clientes e 100% dos colaboradores são pessoas. Quem não entende de pessoas, não entende de negócio.
O CEO do QuarkRH também alertou sobre a confusão recorrente entre DP (remuneração, benefícios, relações trabalhistas) e RH (gente e cultura, recrutamento, desenvolvimento). Mas reforçou que ambos são áreas de apoio: quem efetivamente aplica as políticas de pessoas é a liderança. Não por acaso, 8 em cada 10 profissionais pedem demissão por causa do chefe — e a demissão é responsabilidade da liderança, não do RH.
“A excelência não é um ato, é um hábito.” — Aristóteles, citado por Gleydson Lima
E, talvez, a frase que mais ecoou na sala: “cultura é o que você tolera”. Tudo o que uma liderança permite, vira norma. Tudo o que ela deixa passar, vira padrão.
Recrutamento e Seleção — Fábia Oliveira, Coordenadora de Gente e Cultura do Esig Group

Se a alta performance começa com pessoas certas, recrutamento e seleção deixa de ser um processo operacional para se tornar uma decisão estratégica. Fábia Oliveira mostrou como o Esig Group estrutura seu funil de contratação em 10 etapas, da divulgação da vaga à efetivação — com automação dos processos manuais via QuarkRH e foco em quatro pilares fundamentais:
- Evidências comportamentais reais — não basta o currículo dizer; o candidato precisa demonstrar.
- Avaliação de competências técnicas e comportamentais, combinadas em equilíbrio.
- Entrevistas estruturadas e menos subjetivas, reduzindo o peso da percepção individual do recrutador.
- Alinhamento entre candidato, cargo e cultura — o famoso fit.
Outros pontos sublinhados pela palestrante foram a importância de dar feedbacks também nas negativas, o uso de banners e materiais visuais que comunicam todas as etapas do processo ao candidato (fortalecendo a marca empregadora) e a aplicação do Teste de QP (Inteligência Positiva) para mapear sabotadores internos que podem comprometer a performance.
“A assertividade da contratação aumenta quando a decisão é baseada em evidências e não em percepções.” — Rogério Leme, citado por Fábia Oliveira
Onboarding e Escuta Ativa — Bianca Martins

Bianca Martins reforçou um conceito que muitos RHs ainda subestimam: a jornada do colaborador não começa no primeiro dia de trabalho — ela começa no processo seletivo. A experiência percebida durante o R&S é o primeiro contato emocional do novo talento com a cultura da empresa. Quebrar essa continuidade no onboarding é o caminho mais rápido para frustrar o profissional logo no início.
Para sustentar a excelência no onboarding, ela apresentou quatro alicerces:
- Alinhamento de expectativas — confirmar que as responsabilidades discutidas no processo seletivo são, de fato, as praticadas no dia a dia.
- Acolhimento da liderança — o suporte ativo do gestor nos primeiros dias reduz a ansiedade e consolida o vínculo construído no recrutamento.
- Rampa de acesso suave — ferramentas, sistemas e acessos prontos no dia 1 demonstram profissionalismo e respeito pelo tempo do colaborador.
- Imersão cultural — conectar o novo membro aos rituais, valores e símbolos da empresa transforma um “contratado” em parte do time.
A trilha de onboarding apoiada por tecnologia — como a estrutura usada no Esig Group via QuarkRH — integra conteúdo, acompanhamento e mensuração em um único fluxo, garantindo que nenhum colaborador comece desconectado da empresa.
“Uma boa jornada começa no processo seletivo e segue presente em cada etapa da experiência do colaborador.” — Bianca Martins
Engajamento, Performance e Desenvolvimento — Raphaela Galhardo, Diretora de Gente e Gestão

Para fechar o workshop, Raphaela Galhardo trouxe a tese de que pessoas engajadas não apenas entregam resultados — elas constroem legado. O colaborador engajado é aquele que tem conexão emocional, comprometimento e entusiasmo com o trabalho, e os números comprovam a correlação direta com aumento de lucros, produtividade e retenção.
Nesse contexto, o líder é o principal propagador da cultura. É ele quem constrói a relação de confiança, comunica a estratégia, guarda os valores e é responsável por maximizar o potencial humano do time. E, para desenvolver pessoas, o líder precisa, antes, se desenvolver. Daí a importância de programas estruturados de desenvolvimento de liderança e do reconhecimento simbólico de boas práticas — como a certificação GPTW, citada por Raphaela.
Ela apresentou então os cinco pilares que sustentam empresas de alta performance:
- Clareza de expectativas — as pessoas precisam saber o que se espera delas, como serão avaliadas e o que significa ter sucesso.
- Feedback contínuo — feedback não pode acontecer uma vez por ano. Precisa virar rotina, ser frequente e registrado para se transformar em cultura.
- Reconhecimento — combinando dimensão emocional e financeira, gerando impacto que vai além da remuneração.
- Escuta ativa — empresas de alta performance escutam antes de agir. Pesquisas internas quadrimestrais, GPTW, papo reto com a diretoria, entrevistas de desligamento e bancos de ideias formam um sistema robusto de escuta no Esig Group.
- Desenvolvimento — capacitações, trilhas e investimento em liderança. Investir no crescimento das pessoas é investir no futuro da empresa.
O fio condutor: pessoas no centro do negócio

Apesar de abordarem temas distintos, os quatro palestrantes convergiram para uma mesma conclusão: não há alta performance sustentável sem uma gestão de pessoas estruturada, estratégica e profundamente humana.
Da visão sistêmica do RH como parte do negócio (Gleydson), passando pela contratação baseada em evidências (Fábia), pelo onboarding como continuidade da experiência (Bianca) e pelo engajamento construído a partir da liderança (Raphaela), o que se delineou foi uma cadeia integrada — não etapas isoladas.
“Tecnologia evolui rápido. Processos mudam. Mas são as pessoas e a cultura que sustentam o que realmente permanece.” — Raphaela Galhardo
Para os profissionais de RH e DP que buscam transformar suas organizações, o recado do workshop foi claro: comece pela liderança, estruture os processos com base em dados e nunca perca de vista que, no fim, tudo é P2P.
Sobre o QuarkRH
O QuarkRH é uma plataforma completa de gestão de pessoas, englobando Departamento Pessoal, Recursos Humanos, Treinamento e Desenvolvimento e Assinatura Eletrônica.
No RH, a plataforma cobre toda a jornada do colaborador — do recrutamento e seleção ao onboarding, passando por gestão de desempenho, desenvolvimento, pesquisas de clima, canal de denúncias e muito mais.
Na frente de Departamento Pessoal, o QuarkRH automatiza todo o ciclo trabalhista — da admissão digital ao controle de jornada e ponto eletrônico, com assinatura eletrônica de validade jurídica, garantindo conformidade com a legislação e eliminando processos manuais que consomem o tempo da equipe.
Tudo isso em uma única plataforma, que centraliza processos, automatiza tarefas operacionais e gera os dados necessários para decisões mais assertivas. A proposta é simples: dar ao RH e ao DP as ferramentas para que deixem de ser apoio reativo e passem a ocupar o assento estratégico que o negócio exige — exatamente o caminho discutido durante o Workshop Gestão de Pessoas de Alta Performance.
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