
Os modelos de carta de recomendação ajudam empresas, gestores e profissionais de RH a formalizar uma referência profissional de maneira objetiva.
O documento pode confirmar competências, responsabilidades, resultados e características observadas durante a relação de trabalho.
Embora a carta de recomendação não seja uma exigência comum nas contratações brasileiras, ela ainda aparece em processos seletivos, candidaturas internacionais e situações nas quais o candidato precisa comprovar sua experiência profissional.
A Robert Half destaca que o documento funciona como um complemento ao currículo e ganha relevância quando é elaborado por alguém que efetivamente acompanhou o trabalho do profissional.
Para o RH, porém, não basta preencher um modelo pronto. É necessário garantir que as informações sejam verdadeiras, pertinentes e compatíveis com aquilo que a empresa realmente pode atestar.
A seguir, você encontra exemplos para diferentes situações e os principais cuidados na emissão do documento.
O que é uma carta de recomendação profissional?
A carta de recomendação profissional é um documento no qual uma empresa, gestor, líder ou outro profissional apresenta referências sobre alguém com quem manteve uma relação de trabalho.
Ela pode informar, por exemplo:
- período em que o profissional trabalhou na empresa;
- cargo ou função exercida;
- principais responsabilidades;
- competências técnicas observadas;
- características profissionais relevantes;
- projetos ou resultados alcançados;
- identificação e contato de quem está fazendo a recomendação.
Um bom documento não precisa ser extenso. Na prática, a especificidade vale mais do que uma coleção de elogios.
Dizer que uma pessoa é “excelente, proativa e comprometida” oferece pouca informação ao recrutador. Explicar que ela liderou determinado projeto, organizou uma rotina ou contribuiu para um resultado específico torna a recomendação mais concreta.

Carta de recomendação e carta de referência são a mesma coisa?
Os dois termos são frequentemente usados como sinônimos, inclusive por empresas especializadas em recrutamento.
Na prática, porém, pode ser útil fazer uma distinção.
Uma carta de referência pode se limitar a confirmar informações objetivas, como vínculo, cargo e período trabalhado. Já a carta de recomendação normalmente acrescenta uma avaliação favorável sobre competências, desempenho ou contribuições do profissional.
Há ainda a declaração de trabalho, cuja finalidade é essencialmente comprovar que determinada pessoa mantém ou manteve vínculo com a organização.
Para o RH, separar esses documentos ajuda a evitar que uma simples confirmação de vínculo se transforme, sem necessidade, em uma avaliação sobre o ex-colaborador.
O que deve ter em uma carta de recomendação?

Não existe um formato legal único para elaborar uma carta de recomendação. Ainda assim, uma estrutura padronizada facilita tanto a emissão pelo RH quanto a leitura pelo recrutador.
O ideal é incluir:
- Identificação de quem recomenda: nome, cargo e empresa.
- Identificação do profissional recomendado: nome e função exercida.
- Contexto da relação profissional: como e durante quanto tempo as pessoas trabalharam juntas.
- Competências ou entregas: informações que possam ser efetivamente confirmadas.
- Recomendação: indicação objetiva do profissional para novas oportunidades.
- Contato: preferencialmente um canal profissional para eventual confirmação.
- Data e assinatura: para identificar quando e por quem o documento foi emitido.
Dados que não são necessários para essa finalidade devem ficar de fora.
A orientação também é coerente com o princípio da necessidade previsto na LGPD, segundo o qual o tratamento de dados deve se limitar ao mínimo necessário para atingir determinada finalidade.
5 modelos de carta de recomendação para copiar e adaptar
Os exemplos abaixo podem ser usados como ponto de partida. O conteúdo deve sempre ser ajustado à experiência real de cada profissional.
1. Modelo de carta de recomendação profissional simples
A quem possa interessar,
Recomendamos [nome do profissional], que atuou na [nome da empresa] entre [data] e [data], exercendo a função de [cargo].
Durante esse período, foi responsável por atividades relacionadas a [principais responsabilidades], demonstrando [competências que possam ser comprovadas].
Ao longo de sua atuação, destacamos especialmente sua contribuição em [projeto, atividade ou resultado relevante].
Diante da experiência profissional que acompanhamos, recomendamos [nome] para oportunidades compatíveis com sua trajetória e competências.
Atenciosamente,
[Nome]
[Cargo]
[Empresa]
[Contato profissional]
[Data]
2. Modelo de carta de recomendação para ex-funcionário
A quem possa interessar,
Declaramos que [nome] integrou nossa equipe no período de [data] a [data], exercendo o cargo de [cargo].
Durante sua passagem pela empresa, participou de atividades como [atividades] e contribuiu para [projeto ou resultado].
No período em que trabalhamos juntos, pudemos acompanhar competências relacionadas a [competência 1], [competência 2] e [competência 3].
Por sua experiência e pelas contribuições realizadas durante sua atuação conosco, recomendamos [nome] para novas oportunidades profissionais relacionadas à sua área de atuação.
Atenciosamente,
[Nome do responsável]
[Cargo]
[Empresa]
[Contato]
[Data]
3. Modelo de carta de recomendação feita pelo gestor

Prezados,
Tive a oportunidade de trabalhar diretamente com [nome] durante [período], quando atuei como seu/sua [cargo ou relação hierárquica] na [empresa].
Nesse período, [nome] foi responsável por [responsabilidades]. Entre suas principais contribuições, destaco [projeto ou situação concreta], no qual sua atuação contribuiu para [resultado].
Durante nossa experiência profissional, pude acompanhar de perto sua capacidade de [competências relacionadas à função].
Com base nessa experiência, recomendo [nome] para posições relacionadas a [área ou tipo de função].
Permaneço disponível para eventuais esclarecimentos sobre nossa experiência profissional.
Atenciosamente,
[Nome]
[Cargo]
[Empresa]
[Contato profissional]
4. Modelo curto de carta de recomendação
A quem possa interessar,
Por meio desta, recomendo [nome], profissional que atuou conosco como [cargo] entre [período].
Durante sua atuação, demonstrou competência em [competências] e contribuiu para [atividade ou resultado].
Considerando a experiência que tivemos durante esse período, recomendamos o profissional para novas oportunidades compatíveis com sua área de atuação.
Atenciosamente,
[Nome]
[Cargo e empresa]
[Contato]
[Data]
5. Modelo de carta de recomendação para estágio
A quem possa interessar,
Recomendo [nome], que realizou estágio na área de [área] da [empresa], entre [data] e [data].
Durante esse período, participou de atividades relacionadas a [atividades], tendo a oportunidade de desenvolver conhecimentos em [competências].
Destaco sua participação em [atividade ou projeto concreto], na qual demonstrou [característica ou competência observável].
Considerando seu desenvolvimento durante o estágio, recomendo [nome] para oportunidades que contribuam para a continuidade de sua formação e experiência profissional.
Atenciosamente,
[Nome]
[Cargo]
[Empresa]
[Contato]
A empresa é obrigada a fornecer carta de recomendação?

De forma geral, não existe na legislação trabalhista uma obrigação que determine que toda empresa forneça uma carta de recomendação ao término do contrato. A própria Robert Half destaca que sua emissão é voluntária.
Isso é diferente dos documentos que o empregador efetivamente precisa fornecer ou registrar em razão do encerramento do vínculo.
Por esse motivo, a empresa pode estabelecer uma política interna para definir se emite cartas de recomendação, quem pode assiná-las e quais informações podem constar no documento.
Essa padronização é particularmente importante em organizações maiores. Sem uma regra clara, um gestor pode emitir recomendações em nome da empresa enquanto outro se recusa, ou diferentes áreas podem utilizar critérios completamente distintos.
O que o RH não deve colocar na carta de recomendação?
Uma carta de recomendação não deve se transformar em um relatório sobre todo o histórico do colaborador.
Informações sobre saúde, questões pessoais, conflitos internos e outros dados que não sejam necessários para a finalidade do documento exigem atenção especial. A LGPD estabelece princípios como finalidade, necessidade, prevenção e não discriminação no tratamento de dados pessoais.
Outro ponto delicado são as informações desabonadoras.
A Justiça do Trabalho já analisou casos envolvendo ex-empregadores que forneceram referências negativas sobre trabalhadores. Há decisões do TST relacionadas inclusive à utilização de gravações para demonstrar que referências profissionais desabonadoras estavam sendo fornecidas.
Isso não significa que o RH precise inventar elogios ou recomendar alguém em quem não confia.
Se a organização não puder fazer uma recomendação positiva e verdadeira, uma alternativa mais prudente pode ser limitar-se, quando cabível, a fornecer um documento objetivo que confirme informações profissionais, sem criar uma avaliação artificial sobre o desempenho.
Como criar uma política para cartas de recomendação?

Em vez de analisar cada pedido do zero, o RH pode criar um procedimento interno.
Defina quem está autorizado a emitir o documento, quais informações podem ser consultadas, quais dados podem ser compartilhados, quem assina e em quais situações a empresa prefere emitir apenas uma declaração de vínculo.
Também vale manter modelos previamente aprovados.
O objetivo não é transformar uma carta simples em um processo burocrático gigantesco. É justamente o contrário: quando existem regras, modelos e dados organizados, o RH consegue responder ao pedido com mais rapidez e segurança.
Como o QuarkRH ajuda a organizar informações dos colaboradores?
Uma carta de recomendação é apenas um pequeno documento dentro de uma operação de RH que administra admissões, documentos, férias, ponto, folha, benefícios, movimentações e desligamentos.
Quando essas informações ficam espalhadas em planilhas, pastas e diferentes sistemas, até uma solicitação simples pode exigir uma pequena expedição arqueológica pelos arquivos da empresa.
Com o QuarkRH, RH e Departamento Pessoal centralizam dados e processos dos colaboradores em uma única plataforma, facilitando o acesso a informações confiáveis ao longo de toda a jornada profissional.
Mais do que ter um modelo pronto de carta de recomendação, o RH precisa ter dados organizados para preencher qualquer documento corretamente.
É justamente aí que a tecnologia deixa de ser apenas apoio operacional e passa a dar mais segurança e eficiência para as rotinas de gestão de pessoas. Conheça o QuarkRH e veja como simplificar os processos de RH e DP da sua empresa.








