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PwC: Profissionais trocariam 20% do salário por amizades

Pesquisa mostra que profissionais aceitariam ganhar menos para ter amigos no trabalho. Entenda o impacto para RH e empresas.
Grupo de profissionais que são amigos  em escritório moderno, conversando e sorrindo com xícaras e café, em um ambiente de escritório com janelas grandes e vista urbana, amizades.

A construção de vínculos no ambiente profissional pode ter um impacto maior na experiência dos trabalhadores do que muitas empresas imaginam. Dados de uma pesquisa global realizada pela PwC, aponta que profissionais estariam dispostos a abrir mão de 20% do salário para ter amigos próximos no trabalho, um resultado que coloca a conexão entre colegas no centro das discussões sobre engajamento, bem-estar e retenção de talentos.

O cenário também revela um desafio para as organizações. A solidão e a falta de conexão no ambiente profissional podem afetar tanto a satisfação dos colaboradores quanto os resultados dos negócios. Atualmente, 64% das pessoas vivenciam algum nível de solidão, enquanto quase metade gostaria de ter relações mais próximas com os colegas.

Para o RH, a discussão amplia o conceito de experiência do colaborador. Mais do que oferecer benefícios ou criar políticas de remuneração competitivas, as empresas precisam considerar a qualidade das relações construídas no cotidiano. Quando existe confiança entre colegas, o trabalho pode ganhar novos significados, favorecer a colaboração e fortalecer o sentimento de pertencimento.

Conexões no trabalho influenciam motivação e permanência

A necessidade de criar vínculos não representa apenas uma questão pessoal. A ausência de relações próximas também pode gerar consequências para as organizações. A falta de conexão tende a impactar a motivação e a responsabilidade interpessoal, enquanto a solidão pode estar associada a custos relacionados ao absenteísmo, despesas médicas e rotatividade. Estimativas apontam que esse impacto pode chegar a US$13,3 mil por funcionário ao ano.

Nesse contexto, as amizades no trabalho aparecem como um possível elemento de proteção para profissionais e empresas. Estudos sobre relações no ambiente corporativo indicam que vínculos próximos podem contribuir para retenção, engajamento e colaboração, além de favorecer uma percepção maior de propósito nas atividades profissionais.

Para as empresas, o resultado reforça a importância de observar os fatores que influenciam a experiência diária dos trabalhadores. Um ambiente em que as pessoas conseguem desenvolver relações de confiança pode favorecer a troca de conhecimentos e estimular uma participação mais ativa nas decisões e projetos.

Isso não significa, porém, que organizações devam estimular as amizades de maneira artificial. O papel do RH está mais relacionado à criação de condições para que conexões saudáveis possam surgir naturalmente, com espaços de interação, colaboração e convivência que respeitem diferentes perfis profissionais.

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Amizades podem fortalecer carreira e experiência do colaborador

Os benefícios dos vínculos profissionais também ultrapassam a convivência cotidiana. Estudos sobre comportamento organizacional apontam que colegas próximos podem atuar como fontes de feedback honesto e contribuir para que profissionais identifiquem pontos de melhoria e desenvolvam suas competências. A confiança construída nessas relações também pode aumentar a segurança para assumir riscos calculados e expressar opiniões.

Outro impacto está relacionado ao engajamento. Quando o trabalho envolve pessoas com quem existe uma conexão genuína, as atividades podem deixar de ser percebidas apenas como obrigações e adquirir maior significado. A sensação de responsabilidade e colaboração com colegas pode contribuir para aumentar a motivação, mesmo diante de situações de maior pressão.

As amizades também podem ampliar oportunidades profissionais. Pessoas próximas costumam fazer parte de redes de relacionamento diferentes e, por isso, podem apresentar novos contatos, projetos e possibilidades de carreira. Esse efeito fortalece o networking e mostra que relações construídas no ambiente corporativo podem ter influência sobre o desenvolvimento profissional a longo prazo.

Pesquisas na área de saúde e comportamento também apontam possíveis associações entre amizades próximas no trabalho e benefícios relacionados ao bem-estar físico e mental, incluindo efeitos sobre ansiedade, depressão e saúde cardiovascular.

Para o RH, esses fatores indicam que iniciativas de integração não devem ser avaliadas apenas pela participação imediata dos colaboradores. Quando bem estruturadas, ações que favorecem a conexão podem contribuir para uma cultura organizacional mais colaborativa e para uma experiência profissional mais positiva.

RH precisa equilibrar proximidade, inclusão e limites profissionais

Apesar dos benefícios, incentivar relações mais próximas exige cuidado. A amizade no trabalho não pode se transformar em favoritismo, formação de grupos fechados ou exclusão de profissionais que tenham perfis mais reservados. Por isso, a construção de uma cultura de conexão deve caminhar junto com princípios de respeito, inclusão e equidade.

Para as lideranças, o desafio está em criar ambientes nos quais os profissionais possam desenvolver confiança sem que a proximidade pessoal interfira na tomada de decisões. Critérios de promoção, distribuição de oportunidades e reconhecimento precisam continuar baseados em parâmetros objetivos, evitando que relações pessoais determinem vantagens dentro das equipes.

Nesse cenário, o RH assume uma função estratégica ao acompanhar indicadores de clima, engajamento e rotatividade e ao identificar sinais de isolamento entre os profissionais. A gestão também pode estimular práticas colaborativas e momentos de interação, respeitando diferentes formas de relacionamento e evitando transformar a socialização em uma obrigação.

Os dados sobre relações no ambiente profissional reforçam, portanto, uma mudança importante na maneira de pensar a experiência do colaborador. Se profissionais estariam dispostos a abrir mão de uma parcela significativa da remuneração para ter amigos próximos no trabalho, fica evidente que o vínculo humano possui um valor que não pode ser reduzido a salários ou benefícios.

Para as organizações, o desafio é transformar essa percepção em práticas de gestão capazes de fortalecer confiança, pertencimento e colaboração. Em um mercado no qual atrair e reter talentos exige cada vez mais atenção à experiência das pessoas, criar ambientes onde relações saudáveis possam se desenvolver pode representar uma vantagem competitiva relevante.

Foto de Cinara Medeiros

Cinara Medeiros

Bacharelanda em Comunicação Social - Publicidade & Propaganda. Atua nas áreas de Marketing Digital e redação focada em SEO.
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