
As ações de endomarketing para Setembro Amarelo podem abrir espaço para conversas importantes sobre saúde mental, prevenção e acolhimento dentro das empresas.
Mas colocar um laço amarelo no mural, distribuir brindes ou realizar uma palestra isolada está longe de ser suficiente.
Em 2026, essa discussão ganhou ainda mais peso para RH, Departamento Pessoal, lideranças e profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho.
Desde 26 de maio, está vigente a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, que reforça a necessidade de considerar os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
O contexto ajuda a entender a urgência. Dados preliminares divulgados pela Fundacentro mostram que 546.254 benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram concedidos em 2025, aumento de 15,66% em comparação aos 472.328 registrados em 2024.
Por isso, o Setembro Amarelo nas empresas precisa deixar de ser uma campanha pontual para fazer parte de uma estratégia permanente de saúde, segurança e gestão de pessoas.
Antes, um breve contexto sobre Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental. O mês foi escolhido porque 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
A dimensão do problema ainda é significativa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sendo 73% dessas mortes registradas em países de baixa e média renda.
No Brasil, um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostrou que, somente em 2021, foram registrados mais de 15,5 mil suicídios, o equivalente a aproximadamente uma morte a cada 34 minutos.
Para as organizações, entretanto, abordar Setembro Amarelo exige cuidado. Não se trata de transformar um tema sensível em uma campanha publicitária interna, mas de criar caminhos para prevenção, informação e acesso a suporte profissional.

12 ações de endomarketing para Setembro Amarelo nas empresas
Boas ações de Setembro Amarelo nas empresas combinam conscientização, escuta, prevenção e acesso a ajuda profissional.
A seguir, estão 12 ideias que podem ser adaptadas ao perfil e à estrutura da organização.
1. Faça uma palestra com profissionais especializados
Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais qualificados podem explicar sinais de sofrimento emocional, fatores de proteção e caminhos para buscar ajuda.
Evite palestras motivacionais que simplifiquem transtornos mentais em frases como “pense positivo”. Saúde mental exige informação tecnicamente responsável.
2. Promova rodas de conversa em grupos menores

Nem todo colaborador se sente confortável falando sobre saúde mental diante de dezenas de colegas.
Rodas menores, conduzidas por profissionais preparados e com participação voluntária, podem favorecer conversas mais seguras.
O objetivo não é fazer com que funcionários revelem diagnósticos ou experiências pessoais.
3. Crie um canal de escuta seguro
A empresa pode disponibilizar um canal confidencial para acolher demandas relacionadas a assédio, conflitos, sobrecarga e outros problemas do ambiente de trabalho.
É importante deixar claro quem recebe as informações, quais situações podem ser encaminhadas e como a confidencialidade será preservada.
4. Capacite gestores para reconhecer sinais de alerta

O gestor não deve assumir o papel de psicólogo.
Sua função é perceber mudanças importantes, saber abordar o colaborador com respeito e conhecer os canais disponíveis para encaminhamento.
A própria OMS recomenda treinamento de gestores como uma das estratégias para promover saúde mental no trabalho.
5. Divulgue canais confiáveis de ajuda
Um dos materiais mais úteis da campanha pode ser também um dos mais simples: uma página, card ou comunicado reunindo os canais disponíveis.
Podem ser divulgados serviços do SUS, como UBS, CAPS e demais pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), além do CVV, disponível gratuitamente pelo telefone 188.
Também devem aparecer os recursos oferecidos pela própria empresa, quando existirem.
6. Faça uma pesquisa de clima e riscos psicossociais
Quer saber como as pessoas estão? Pergunte.
Pesquisas anônimas podem ajudar a identificar problemas relacionados a carga de trabalho, comunicação, autonomia, relacionamentos, liderança e segurança psicológica.
Mas existe uma regra básica: não pergunte se a empresa não pretende agir sobre as respostas.
Coletar relatos de sobrecarga e continuar exatamente igual pode produzir o efeito contrário ao desejado.
7. Crie uma semana de educação sobre saúde mental
Em vez de concentrar tudo em uma palestra, distribua conteúdos ao longo da semana.
Um dia pode abordar estresse e sobrecarga. Outro, prevenção ao assédio. Outro, organização do trabalho, sono ou formas de procurar ajuda.
Isso permite aprofundar o assunto sem transformar a campanha em uma avalanche de mensagens.
8. Revise práticas que favorecem a sobrecarga
Talvez essa seja uma das ações mais importantes e menos “instagramáveis” do Setembro Amarelo.
Analise horas extras recorrentes, equipes subdimensionadas, mensagens fora do expediente, acúmulo de funções, metas incompatíveis e dificuldade para usufruir de pausas e férias.
Uma campanha coerente também precisa olhar para a organização do trabalho.
9. Estimule pausas durante a jornada
Ações educativas podem incentivar pausas adequadas, movimentação e períodos de descanso conforme as características das atividades realizadas.
Mas cuidado para não transformar a pausa em mais uma obrigação corporativa.
A ideia é melhorar a rotina, não criar a “pausa obrigatória de cinco minutos para ser feliz”.
10. Crie uma campanha interna contra o estigma
Expressões que ridicularizam depressão, ansiedade ou tratamento psicológico ainda aparecem no cotidiano.
O endomarketing pode trabalhar mitos sobre saúde mental, mostrar por que transtornos mentais precisam de tratamento adequado e reforçar que procurar ajuda não deve gerar discriminação profissional.
11. Disponibilize benefícios de apoio psicológico
Quando possível, a organização pode oferecer psicoterapia, programas de assistência ao empregado, teleatendimento psicológico ou benefícios que ampliem o acesso à saúde.
O mais importante é garantir que o colaborador saiba utilizar o recurso e compreenda quais informações são confidenciais.
12. Transforme setembro em ponto de partida
Depois da campanha, RH e lideranças podem avaliar os dados levantados e transformar problemas identificados em planos concretos.
Se a pesquisa revelou sobrecarga em determinada equipe, por exemplo, o próximo passo é investigar causas e implementar medidas de prevenção.
Setembro Amarelo e NR-1: qual é a relação?
Desde 26 de maio de 2026, está vigente a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, estabelecida pela Portaria MTE nº 1.419/2024.
O texto reforçou que o gerenciamento dos riscos ocupacionais deve abranger os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Na prática, a empresa precisa identificar perigos, avaliar riscos e adotar medidas de prevenção dentro do processo de GRO/PGR.
O próprio Ministério do Trabalho e Emprego escolheu como tema da Canpat 2026 a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho, reforçando a importância que a questão ganhou para Segurança e Saúde no Trabalho.
Isso não significa que uma palestra de Setembro Amarelo “cumpra a NR-1”. Pelo contrário.
A campanha pode integrar uma estratégia mais ampla de conscientização, mas não substitui o gerenciamento de riscos ocupacionais nem as medidas de prevenção exigidas pela legislação.
Outro marco importante é a Lei nº 14.831/2024, que criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental.
Entre as diretrizes previstas estão programas de promoção da saúde mental, acesso a recursos de apoio psicológico e psiquiátrico, conscientização, capacitação de lideranças e combate à discriminação.
Ou seja, saúde mental deixou definitivamente de ser assunto apenas para o calendário de endomarketing.
Não faça isso na campanha de Setembro Amarelo da sua empresa
É importante ter em mente que uma campanha mal planejada pode ser invasiva ou até contraproducente.
Por isso, algumas práticas devem ser evitadas:
- obrigar colaboradores a compartilhar experiências pessoais;
- realizar testes psicológicos improvisados;
- expor diagnósticos ou afastamentos;
- tratar líderes como terapeutas;
- utilizar mensagens culpabilizadoras;
- associar produtividade individual a “força emocional”;
- reduzir a campanha a brindes, decoração e frases motivacionais;
- incentivar denúncias sem oferecer um canal realmente seguro;
- coletar dados sensíveis sem critérios adequados de privacidade.
Também é necessário atenção à LGPD (Lei nº 13.709/2018). Informações referentes à saúde são classificadas como dados pessoais sensíveis e exigem proteção reforçada.
Tecnologia também ajuda a construir ambientes de trabalho melhores
Boas ações de endomarketing para Setembro Amarelo podem abrir uma conversa necessária, mas uma empresa saudável não se constrói em um mês de campanha.
Para o RH, isso significa conhecer melhor as pessoas, acompanhar indicadores, organizar processos e identificar problemas antes que eles se transformem em crises.
É justamente nesse ponto que o QuarkRH pode apoiar a gestão.
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No Setembro Amarelo e durante todo o ano, cuidar da saúde organizacional começa por uma gestão mais próxima, organizada e baseada em informações confiáveis.
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