Formulário 2 Etapas

Relatório aponta avanço de mulheres no mercado, mas desigualdade persiste

Relatório de Transparência Salarial 2026 mostra avanço das mulheres no mercado de trabalho, mas desigualdade salarial ainda preocupa.
Imagem de capa do relatório de transparência salarial, com fundo azul e elementos coloridos, destacando a importância da transparência nas informações salariais.

O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado em 27 de abril de 2026 pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, reforça um cenário ambivalente no mercado de trabalho brasileiro: ao mesmo tempo em que cresce a presença das mulheres no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre homens e mulheres segue elevada.

Os dados revelam um aumento de 11% na participação das mulheres no mercado de trabalho formal, com expansão expressiva entre mulheres negras e pardas. Ainda assim, no setor privado com 100 ou mais empregados, elas recebem, em média, 21,3% a menos que os homens.

Para lideranças empresariais, RHs e áreas de compliance, o relatório amplia o debate sobre equidade salarial, responsabilidade corporativa e os desafios estruturais enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho brasileiro.

Crescimento da presença feminina no mercado formal

O levantamento, baseado na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), analisou aproximadamente 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.

Entre 2023 e 2025, o número de mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões, um crescimento de 800 mil trabalhadoras. O avanço foi ainda mais expressivo entre mulheres negras, pretas e pardas, cuja presença subiu 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

Esses números indicam uma ampliação relevante do acesso das mulheres no mercado de trabalho, especialmente para grupos historicamente sub-representados.

Do ponto de vista corporativo, esse movimento sinaliza mudanças na composição da força de trabalho e reforça a necessidade de políticas consistentes de diversidade e inclusão.

Desigualdade salarial permanece como desafio estrutural

Apesar do avanço das mulheres no mercado de trabalho, o relatório mostra estabilidade, e até leve aumento, na diferença salarial.

Em 2026, as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens. No salário mediano de contratação, a diferença passou de 13,7% em 2023 para 14,3%.

Na prática, isso demonstra que o crescimento das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhado por uma equiparação proporcional nos rendimentos.

O relatório estima que, para que a massa salarial feminina alcance participação equivalente à sua presença no emprego, atualmente em 41,4%, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos.

Esse dado evidencia o impacto econômico da desigualdade salarial não apenas para as trabalhadoras, mas também para o consumo das famílias e para o crescimento econômico do país.

Empresas ampliam políticas internas de apoio às mulheres

Entre os pontos positivos do estudo, destaca-se o avanço das políticas corporativas voltadas à equidade e à permanência das mulheres no mercado de trabalho e nas organizações.

Entre 2023 e 2025:

  • a oferta de jornada flexível subiu de 40,6% para 53,9%;
  • o auxílio-creche cresceu de 22,9% para 38,4%;
  • as licenças-maternidade e paternidade estendidas avançaram de 20% para 29,9%;
  • os planos de cargos e salários passaram de 55,5% para 66,8%.

Além disso, a proporção de empresas que afirmam promover mulheres aumentou de 38,8% para 48,7%.

Essas iniciativas fortalecem a retenção de talentos e demonstram que benefícios estruturados impactam diretamente a inclusão e o desenvolvimento profissional das mulheres no mercado de trabalho.

Lei da Igualdade Salarial amplia responsabilidade empresarial

A divulgação do relatório reforça a importância da Lei nº 14.611/2023, que alterou o artigo 461 da CLT e estabeleceu novas obrigações para empresas com 100 ou mais empregados.

A legislação exige ações concretas para garantir igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, incluindo:

  • transparência salarial;
  • canais de denúncia;
  • fiscalização contra discriminação;
  • programas de diversidade e inclusão;
  • apoio à capacitação profissional feminina.

Mais do que exigência legal, essas práticas se consolidam como pilares de governança corporativa e compliance trabalhista.

Organizações que negligenciam esse tema ficam mais expostas a riscos reputacionais, sanções e perda de competitividade.

ESG e equidade salarial: uma agenda inseparável

A valorização das mulheres no mercado de trabalho deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a integrar indicadores de sustentabilidade e responsabilidade social.

Dentro da agenda ESG, a dimensão social exige que empresas atuem com métricas claras de inclusão, diversidade e remuneração justa.

O relatório mostra que avanços em contratação não bastam quando persistem disparidades estruturais nos salários.

Nesse cenário, as lideranças precisam tratar a inserção e valorização das mulheres no mercado de trabalho como estratégia organizacional — e não apenas como obrigação regulatória.

Oportunidade para o RH liderar transformação cultural

Para profissionais de Recursos Humanos, os dados do relatório representam uma oportunidade de revisão estratégica.

Mapear disparidades, revisar estruturas remuneratórias, criar trilhas de desenvolvimento e ampliar critérios objetivos de promoção são ações fundamentais para fortalecer a presença das mulheres no mercado de trabalho em condições mais justas.

A área de RH ocupa posição central nesse processo, conectando legislação, cultura interna e performance empresarial.

Empresas que transformam diversidade em prática cotidiana tendem a construir ambientes mais inovadores, resilientes e alinhados às expectativas do mercado.

Inclusão cresceu, mas igualdade ainda exige ação concreta

O 5º Relatório de Transparência Salarial revela avanços relevantes para as mulheres no mercado de trabalho, especialmente entre mulheres negras e pardas.

No entanto, a persistência da desigualdade salarial mostra que a inclusão quantitativa ainda não se converteu plenamente em equidade econômica.

Para as empresas, o desafio não está apenas em ampliar a presença das mulheres no mercado de trabalho, mas em garantir remuneração justa, oportunidades reais de ascensão e ambientes corporativos inclusivos.

A transformação exige compromisso contínuo, liderança ativa e visão estratégica.

Fortalecer as condições das mulheres no mercado de trabalho é investir em competitividade, inovação e sustentabilidade corporativa.

Foto de Cinara Medeiros

Cinara Medeiros

Bacharelanda em Comunicação Social - Publicidade & Propaganda. Atua nas áreas de Marketing Digital e redação focada em SEO.
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