
A saúde financeira passou a ser apontada como o principal fator de desgaste entre profissionais no ambiente corporativo. O cenário foi identificado por uma pesquisa realizada pela HIT Terapias Holísticas durante o RH Summit, em parceria com o iFood Benefícios, que ouviu 427 profissionais e avaliou 11 dimensões relacionadas ao bem-estar no trabalho.
O levantamento mostrou que a dimensão em saúde financeira recebeu a menor média entre os participantes, com nota 5,8, ficando abaixo da saúde mental e emocional, que alcançou 6,2, e da saúde física, com 6,7. O resultado indica que as preocupações relacionadas ao dinheiro e ganharam espaço entre os fatores que mais afetam a experiência dos profissionais.
A situação também chama atenção entre profissionais que ocupam posições de liderança. Entre os 127 C-levels, presidentes e outros executivos ouvidos pela pesquisa, a dimensão em saúde financeira aparece como um dos principais pontos de desgaste, mostrando que a preocupação com as finanças e saúde financeira não está restrita a determinados níveis hierárquicos.
Preocupação financeira ultrapassa a vida pessoal
As dificuldades financeiras podem ter impactos que vão além da organização das contas pessoais. Quando o profissional enfrenta insegurança econômica ou preocupação constante com dinheiro, esse cenário pode influenciar sua concentração, capacidade de tomada de decisão e disposição para lidar com as demandas do dia a dia.
Para as empresas, isso representa um desafio que pode chegar ao ambiente de trabalho. A preocupação financeira pode afetar a produtividade, o engajamento e até a relação dos colaboradores com suas atividades e equipes, tornando o tema cada vez mais relevante para as estratégias de gestão de pessoas.
O resultado da pesquisa também reforça que o bem-estar corporativo não pode ser analisado a partir de um único indicador. Questões financeiras, emocionais e físicas estão conectadas e podem influenciar umas às outras, criando um cenário complexo para profissionais e organizações.
Nenhuma dimensão atingiu a zona considerada saudável
Outro ponto de atenção identificado pelo levantamento é que nenhuma das 11 dimensões avaliadas alcançou a chamada zona saudável. O resultado sugere que existe uma necessidade de ampliar o olhar das empresas sobre o bem-estar dos trabalhadores, considerando diferentes aspectos que influenciam a experiência profissional.
Na prática, isso significa que ações isoladas podem não ser suficientes para lidar com os desafios enfrentados pelas equipes. Programas voltados exclusivamente à saúde mental, por exemplo, podem deixar de considerar fatores financeiros que também contribuem para o estresse e a insegurança dos colaboradores.
Para o RH, o cenário reforça a importância de compreender as necessidades reais dos profissionais antes de definir políticas de benefícios e iniciativas de qualidade de vida. A estratégia precisa considerar o contexto dos trabalhadores e identificar quais fatores estão gerando maior impacto no cotidiano.

Educação financeira ganha espaço nas empresas
Diante desse cenário, iniciativas de educação financeira podem se tornar uma ferramenta relevante para as organizações. Orientações sobre planejamento, organização de orçamento e gestão de dívidas podem ajudar os colaboradores a desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro e reduzir parte das preocupações relacionadas às finanças.
Além disso, empresas podem avaliar a oferta de benefícios que contribuam para a segurança financeira dos profissionais. Salários compatíveis com o mercado, programas de apoio, benefícios flexíveis e iniciativas de orientação podem fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com as pessoas.
O objetivo não é transferir para a empresa a responsabilidade pela vida financeira de cada colaborador, mas reconhecer que dificuldades econômicas podem influenciar diretamente a experiência no trabalho. Ao compreender essa realidade, o RH consegue desenvolver políticas mais alinhadas às necessidades das equipes.
RH precisa ampliar o olhar sobre o bem-estar
A pesquisa mostra que o bem-estar no ambiente corporativo está relacionado a diferentes dimensões e exige uma abordagem integrada. Para as empresas, isso significa olhar para além dos indicadores tradicionais e acompanhar os fatores que podem comprometer a satisfação, o desempenho e a permanência dos profissionais.
Nesse contexto, o RH assume uma posição estratégica. A área pode atuar na identificação dos principais pontos de desgaste, na escuta ativa dos colaboradores e na construção de políticas que considerem aspectos financeiros, emocionais e físicos.
Mais do que oferecer benefícios pontuais, a tendência é que as empresas precisem construir uma cultura de cuidado contínuo. Afinal, quando as preocupações financeiras e pessoais passam a interferir na rotina profissional, o impacto pode alcançar não apenas o indivíduo, mas também o desempenho das equipes e os resultados da organização.








