Formulário 2 Etapas

Transformação Digital avança, mas liderança limita ganhos com IA

Transformação digital avança com IA, mas liderança ainda limita produtividade e resultados, segundo a Gallup.
Equipe diversificada de profissionais discutindo transformação digital e os desafios na liderança que limitam os ganhos com inteligência artificial

A transformação digital segue acelerada nas empresas, impulsionada pela adoção da Inteligência Artificial (IA). No entanto, os dados mais recentes mostram que o principal desafio não está na tecnologia, mas na capacidade das organizações de liderar pessoas de forma eficaz.

De acordo com o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, que ouviu mais de 128 mil trabalhadores em mais de 160 países, 95% das empresas ainda não registraram impacto mensurável da IA nos lucros. Além disso, 89% dos executivos afirmam que a tecnologia não aumentou a produtividade de forma relevante nos últimos três anos.

O diagnóstico é direto: o gargalo da transformação digital está na liderança, não nos algoritmos.

Engajamento em queda custa trilhões

O engajamento global dos trabalhadores caiu para 20% em 2025, após atingir 23% em 2022. É a segunda queda consecutiva no indicador.

Segundo a Gallup, essa redução gerou um impacto de US$ 8,9 trilhões, equivalente a 9% do PIB global, devido à perda de produtividade.

O engajamento é um dos principais indicadores de desempenho organizacional. Profissionais mais engajados apresentam:

  • Maior produtividade
  • Melhor desempenho em equipe
  • Menor rotatividade
  • Maior geração de valor

Sem engajamento, a transformação digital tende a não gerar resultados sustentáveis.

Crise na liderança impacta resultados

O relatório também revela queda no engajamento dos gestores. Desde 2022, o índice caiu para 22% em 2025, com retração significativa no último ano.

Esse dado é crítico porque líderes são responsáveis por conectar estratégia e execução. Quando estão menos engajados, o impacto se espalha por toda a organização.

Entre os fatores que explicam essa queda estão:

  • Aumento do tamanho das equipes
  • Estruturas mais enxutas
  • Pressão por resultados
  • Demandas ligadas à adoção de tecnologia

Por outro lado, empresas de alto desempenho apresentam um cenário oposto: 79% dos gestores estão engajados, mostrando que o problema é de gestão, não de contexto.

IA depende do apoio dos gestores

Um dos principais achados do relatório é que a adoção da IA depende diretamente da liderança.

Os dois fatores mais importantes para o uso eficaz da tecnologia são:

  1. Integração aos processos de trabalho
  2. Apoio ativo dos gestores

Funcionários com líderes que incentivam o uso da IA são:

  • 98,7 vezes mais propensos a perceber transformação no trabalho
  • 97,4 vezes mais propensos a melhorar seu desempenho

Mesmo assim, menos de um terço dos trabalhadores recebem esse apoio, limitando o impacto da tecnologia.

Produtividade individual não vira resultado coletivo

O relatório aponta um paradoxo: a IA melhora a produtividade individual, mas não transforma a organização.

Entre trabalhadores de empresas que adotaram IA:

  • 65% relatam aumento de produtividade pessoal
  • Apenas 12% percebem mudança na forma de trabalhar da empresa

Isso indica que os ganhos estão isolados em tarefas individuais.

Para gerar impacto real, é necessário ajustar:

  • Processos
  • Fluxos de decisão
  • Colaboração entre equipes
  • Cultura organizacional

Sem essas mudanças, a tecnologia não gera transformação estrutural.

Mercado mais dinâmico pressiona empresas

A percepção sobre o mercado de trabalho também influencia o comportamento dos profissionais. Em 2025, 52% dos trabalhadores acreditam que é um bom momento para conseguir emprego.

Segundo a Gallup, isso aumenta:

  • A mobilidade profissional
  • A exigência por melhores condições
  • A busca por desenvolvimento

Para as empresas, o desafio é claro: melhorar retenção e experiência do colaborador.

Medo da automação cresce

O avanço da IA também aumenta a insegurança. Nos Estados Unidos:

  • 18% dos trabalhadores temem perder seus empregos
  • O número sobe para 23% em empresas com IA

Setores como finanças, seguros e tecnologia lideram essa preocupação.

Esse medo impacta diretamente o engajamento. Por isso, empresas precisam investir em:

  • Requalificação (upskilling)
  • Comunicação clara
  • Desenvolvimento contínuo

Bem-estar ganha força nas organizações

O bem-estar dos trabalhadores voltou a crescer após três anos de queda. Esse indicador mede a percepção de qualidade de vida e futuro.

Segundo a Gallup, empresas com maior bem-estar apresentam:

  • Mais engajamento
  • Melhor desempenho
  • Menor rotatividade

Em um cenário de mudanças rápidas, o bem-estar se torna essencial para sustentar resultados.

Liderança é o verdadeiro diferencial competitivo

A principal conclusão do relatório é que a transformação digital será definida por fatores humanos.

A IA pode automatizar tarefas e aumentar eficiência, mas o desempenho organizacional depende de:

  • Liderança eficaz
  • Engajamento das equipes
  • Cultura organizacional
  • Capacidade de adaptação

Empresas com a mesma tecnologia terão resultados diferentes dependendo da forma como gerenciam pessoas.

O papel estratégico do RH

Nesse cenário, o RH assume protagonismo. Suas prioridades incluem:

  • Desenvolver lideranças
  • Fortalecer o engajamento
  • Integrar tecnologia ao trabalho
  • Promover cultura organizacional

O desafio não é apenas adotar tecnologia, mas garantir que ela gere valor real.

Conclusão

Os dados do State of the Global Workplace 2026 mostram que investir apenas em tecnologia não é suficiente.

Sem liderança forte e equipes engajadas, a transformação digital não se sustenta. Por outro lado, empresas que equilibram tecnologia e gestão de pessoas conseguem transformar inovação em resultado.

No futuro do trabalho, a vantagem competitiva não estará na IA — mas na forma como ela é aplicada por líderes preparados.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Bacharel em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRN e pós-graduação em Marketing Estratégico pela Universidade Potiguar.Atuo nas áreas de comunicação, endomarketing, marketing digital, produção de conteúdo, copywriting e redação focada em SEO.
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