
A forma como as novas gerações, em especial, a geração Z, enxergam trabalho, crescimento profissional e liderança está passando por uma transformação significativa. Segundo a pesquisa Global Gen Z and Millennial Survey 2026, da Deloitte, jovens profissionais estão priorizando estabilidade, bem-estar, desenvolvimento de habilidades e equilíbrio entre vida pessoal e carreira, deixando em segundo plano a busca acelerada por promoções e cargos de liderança.
O movimento sinaliza uma mudança importante para empresas, gestores e profissionais de Recursos Humanos, que passam a enfrentar o desafio de adaptar modelos de gestão, desenvolvimento e retenção de talentos a expectativas cada vez mais diferentes das observadas em gerações anteriores.
Mais do que uma tendência comportamental, a pesquisa aponta para uma redefinição do conceito de sucesso no ambiente corporativo, com impactos diretos sobre cultura organizacional, liderança, experiência do colaborador e estratégias de atração de talentos.
O que as novas gerações esperam da carreira?
De acordo com o levantamento, apenas 25% da Geração Z e 21% dos Millennials afirmam preferir uma progressão profissional acelerada, marcada por promoções rápidas.
Em contrapartida, a maior parte dos entrevistados da geração Z demonstra preferência por um crescimento gradual, sustentável e alinhado ao desenvolvimento de competências de longo prazo.
A pesquisa revela ainda que muitos profissionais dessas gerações estão dispostos a realizar movimentações laterais na carreira, ou até mesmo abrir mão de promoções imediatas, para adquirir experiências que contribuam para sua evolução profissional futura.
O dado evidencia uma mudança relevante no comportamento profissional, especialmente para organizações que historicamente estruturaram seus planos de carreira com foco exclusivo na ascensão hierárquica.
Bem-estar passa a influenciar decisões profissionais
Outro ponto de destaque do estudo é a relação entre crescimento profissional e qualidade de vida.
Entre os principais fatores que afastam jovens profissionais de posições de liderança estão:
- Estresse e risco de burnout;
- Excesso de responsabilidades;
- Impactos negativos no equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
A percepção de que cargos de liderança podem comprometer a saúde mental e o bem-estar tem levado muitos profissionais a repensarem suas ambições de curto prazo.
Ainda assim, o interesse por posições estratégicas permanece elevado. Segundo a Deloitte, 76% dos integrantes da Geração Z e 67% dos millennials afirmam que desejam ocupar cargos de liderança em algum momento da carreira.
O diferencial está no fato de que essas gerações buscam alcançar esse objetivo em condições consideradas sustentáveis e compatíveis com sua qualidade de vida.

Pressão financeira continua moldando escolhas
A pesquisa aponta que o custo de vida permanece como a principal preocupação para ambas as gerações pelo quinto ano consecutivo.
O impacto econômico tem influenciado diretamente nas decisões pessoais e profissionais.
Mais da metade dos entrevistados relatou ter adiado projetos importantes, como:
- Formação de família;
- Continuidade dos estudos;
- Empreendedorismo;
- Aquisição de moradia.
Além disso, a disponibilidade e o custo da habitação influenciam decisões relacionadas ao local de trabalho e à mobilidade profissional.
O cenário demonstra que fatores financeiros continuam desempenhando papel central nas expectativas de carreira e na permanência dos profissionais nas organizações.
Inteligência artificial ganha espaço no ambiente de trabalho
A adoção da inteligência artificial também aparece como um dos principais destaques da pesquisa.
Segundo o estudo, 74% dos profissionais da Geração Z e dos millennials já utilizam ferramentas de IA em suas atividades diárias.
Além do aumento de produtividade, os entrevistados relatam utilizar a tecnologia para:
- Identificar oportunidades de aprendizagem;
- Buscar orientação profissional;
- Desenvolver novas competências;
- Apoiar a gestão do estresse relacionado ao trabalho.
O avanço da inteligência artificial, entretanto, traz um alerta importante para as empresas.
Uma parcela significativa dos participantes acredita que as organizações ainda não estão suficientemente preparadas para lidar com as mudanças que a IA provocará no mercado de trabalho.
O dado reforça a necessidade de investimentos em capacitação, requalificação profissional e estratégias de transformação digital.
O desafio do RH diante da nova realidade
As conclusões da pesquisa reforçam a importância de uma atuação cada vez mais estratégica do Recursos Humanos.
Modelos tradicionais de gestão, baseados exclusivamente em promoções, remuneração e ascensão hierárquica, podem não ser suficientes para atrair e reter profissionais das novas gerações.
Nesse contexto, torna-se fundamental investir em iniciativas voltadas para:
- Desenvolvimento contínuo de competências;
- Flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- Saúde mental e bem-estar;
- Experiência do colaborador;
- Cultura organizacional inclusiva;
- Capacitação em novas tecnologias.
Além disso, programas de liderança precisarão evoluir para atender às expectativas de profissionais que desejam crescer sem abrir mão da sustentabilidade da carreira.
O futuro do trabalho será mais humano e sustentável
Os resultados da pesquisa Deloitte 2026 mostram que Geração Z e millennials não estão menos comprometidos com o trabalho. Na realidade, estão redefinindo o que consideram sucesso profissional.
O crescimento continua sendo importante, mas deixa de ser medido apenas por cargos, status ou velocidade de promoção. Aspectos como propósito, estabilidade, qualidade de vida, desenvolvimento contínuo e bem-estar passam a ocupar posição central nas decisões de carreira.
Para empresas e líderes, o cenário representa uma oportunidade de repensar práticas de gestão e construir ambientes mais alinhados às expectativas da força de trabalho atual e futura.








