
O uso de IA no RH e na gestão do trabalho ainda deixa o CHRO, principal executivo de RH, fora de decisões centrais. Segundo o 2026 CHRO Study, do IBM Institute for Business Value (IBV), 46% das organizações não envolvem o CHRO na definição da estratégia de IA. Na melhor das hipóteses, o RH é consultado depois, para lidar com as consequências para a força de trabalho.
O estudo, intitulado Designing the Thinking Organization, foi feito em parceria com a Oxford Economics. Uma segunda pesquisa, com a SurveyMonkey, ouviu 8.800 funcionários em tempo integral de 28 países em junho de 2026.
IA no RH: onde o CHRO fica de fora
A coordenação entre áreas também é frágil. Apenas 28% dos executivos dizem ter um roteiro conjunto com a TI apoiado por uma cadência compartilhada, e 73% dos CHROs têm dificuldade para alinhar as decisões do C-level sobre como a IA vai mudar o trabalho. O IBV avisa que, se o CHRO não liderar a definição de como as pessoas vão usar a IA, outras lideranças farão isso.

IA no RH e as “organizações que pensam”
O IBV criou um índice de capacidades e chamou de Thinking Organizations as 375 empresas do quartil superior: organizações que reúnem pessoas e IA para decidir melhor, adaptar a forma de trabalhar e transformar a nova capacidade em crescimento.
Em relação às demais, esse grupo mostra aumento de receita quase 2 vezes maior, resultados quase 2 vezes melhores em capacidade, produtividade, engajamento e retenção, e vazão de inovação quase 2 vezes maior. O próprio estudo faz uma ressalva: as relações são associações observadas em dados transversais e não provam causalidade.
Redesenho do trabalho e julgamento humano na IA no RH
Segundo o estudo, 29% dos fluxos de trabalho já incorporam agentes de IA, com projeção de 40% até 2028, e 52% dos funcionários dizem que suas tarefas mudaram no último ano por causa da IA. Ainda assim, só 34% dos cargos foram redesenhados para dar ênfase a julgamento, tratamento de exceções e supervisão.
Quando o CHRO divide a responsabilidade por definir o que continua humano, os funcionários se sentem seguros para questionar ou contrariar uma recomendação da IA em 76% das organizações, contra 43% das empresas em que o RH é apenas consultivo. Além disso, 43% dos funcionários dizem que, quando a IA erra, a culpa cai sobre eles.
Habilidades e porta de entrada: o alerta sobre IA no RH
A erosão de habilidades preocupa 46% dos executivos e é relatada por 60% dos funcionários, e o pensamento crítico é a habilidade mais citada como em declínio. Só 23% das organizações estão aumentando a contratação de nível de entrada, enquanto 77% mantêm o nível estável ou reduzem. Talentos em início de carreira são prioridade de apenas 7% dos executivos.
Outro ponto é o destino dos ganhos: só 42% das organizações direcionam os ganhos de produtividade da IA principalmente para inovação ou requalificação, e 49% dos executivos dizem que perder a confiança dos funcionários é sua maior preocupação.
IA no RH: a própria área ainda está começando
O estudo aponta que 72% das organizações usam pouco ou nada de IA dentro da própria função de RH. São 16% sem uso, 26% que usam apenas recursos prontos das plataformas e 30% com pilotos em alguns casos de uso. Já 22% escalaram a IA em vários processos de RH, e 6% são nativos em IA em escala.
Para o IBV, o que diferencia as empresas não é tecnologia nova, e sim decisões de gestão tomadas agora. A IA no RH exige que a área saia da posição de consultada e ajude a definir como pessoas e tecnologia trabalham juntas.








