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O que é Burnout: sintomas, estágios, o que o RH precisa saber

Homem sentado no sofá, com expressão cansada e mão no rosto, trabalhando no notebook em casa; material de trabalho e celular na mesa, sugerindo estresse e Burnout com sintomas e impactos no dia a dia

Se você trabalha com RH ou Departamento Pessoal, provavelmente já se pegou tentando ajudar alguém da equipe que claramente não estava bem, enquanto você mesmo mal tinha energia para chegar ao fim do dia.

Não é exagero e também não é frescura.

O Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo, atrás apenas do Japão, segundo dados da ISMA-BR (International Stress Management Association Brasil). 

Cerca de 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, e esse número vem crescendo. Uma pesquisa da Infojobs realizada em 2023 mostrou que 65% dos profissionais brasileiros já apresentaram sintomas de burnout ao longo da carreira.

Para quem trabalha em RH e DP, o cenário é ainda mais delicado. 

Você está na linha de frente das demissões, dos conflitos, das cobranças por compliance e da gestão de pessoas em crise. 

Ao mesmo tempo, é um dos perfis que menos recebe suporte emocional dentro das organizações.

Entender o que é burnout, reconhecer seus sinais e saber o que fazer é essencial, tanto para cuidar de você quanto para proteger as pessoas que dependem do seu trabalho todos os dias.

O que é burnout, afinal?

O termo vem do inglês e une as palavras “burn” (queimar) e “out” (fora), algo como “queimar por completo”. 

O conceito foi formalizado em 1974 pelo psicólogo Herbert Freudenberger, que observou um padrão de esgotamento em voluntários de uma clínica de saúde em Nova York. 

Eles chegavam motivados, mas com o tempo o excesso de trabalho foi destruindo essa energia.

A OMS define a síndrome de burnout como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”. 

Ela está registrada na Classificação Internacional de Doenças (CID) como um fenômeno ocupacional, não como doença isolada, mas como condição que afeta diretamente a saúde de quem trabalha.  

Isso significa que o burnout não vem de um dia ruim ou de uma semana pesada. Ele é construído ao longo do tempo, em ambientes que exigem demais sem oferecer o suporte necessário.

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Quais são os sintomas de burnout?

Os sintomas de burnout se dividem em três grandes grupos: físicos, emocionais e comportamentais. 

O que torna o diagnóstico difícil é que muitos desses sinais parecem “normais” para quem vive sob pressão constante.

Os sintomas físicos costumam aparecer primeiro. Dores de cabeça frequentes, cansaço que não passa nem com descanso, alterações no sono, pressão alta, dores musculares e distúrbios gastrointestinais são os mais comuns.  

No campo emocional, os sinais são mais sutis no início: sentimentos de fracasso, sensação de incompetência, negatividade constante, dificuldade de concentração e alterações de humor aparecem de forma progressiva.

Já no comportamento, a síndrome se manifesta como isolamento social, queda brusca de produtividade, absenteísmo e, em casos mais graves, uso de álcool ou outras substâncias como tentativa de aliviar o vazio.

Pessoa trabalhando em casa à noite, com laptop e papéis na mesa, usando fone e parecendo exausta e com dor de cabeça, simulando estresse e possível Burnout: sintomas e estágios no ambiente de trabalho.

Quais são 7 sinais de esgotamento emocional?

Esse é um dos sinais mais ignorados de burnout, porque o esgotamento emocional não aparece em exame nenhum. Mas ele é devastador.

Os principais sinais de esgotamento emocional incluem:

  • Sensação de que nada que você faz tem valor;
  • Dificuldade em sentir empatia por colegas ou pelo próprio trabalho;
  • Irritabilidade constante sem motivo aparente;
  • Choro fácil ou ausência total de emoções;
  • Sentimento de estar “no automático” o tempo todo;
  • Dificuldade para tomar decisões simples;
  • Perda de interesse em atividades que antes traziam prazer.

Se você reconhece mais de três desses sinais no seu dia a dia, é importante procurar um profissional de saúde mental para uma avaliação.

Quais são os 12 estágios da Síndrome de Burnout?

Herbert Freudenberger e a psicóloga Gail North mapearam 12 estágios da síndrome, mostrando como o processo se desenvolve de forma progressiva. 

Nem todo mundo passa por todos eles na mesma ordem, mas entender essa trajetória ajuda a reconhecer os sinais antes que o quadro se agrave.

  1. Necessidade compulsiva de provar valor, mesmo sem precisar;
  2. Dedicação excessiva ao trabalho, com incapacidade de se desligar;
  3. Negligência das próprias necessidades básicas, como sono, alimentação e descanso;
  4. Fuga dos conflitos internos, quando a pessoa percebe as mudanças mas evita falar sobre elas;
  5. Revisão de valores, quando hobbies, relacionamentos e sonhos passam a parecer irrelevantes;
  6. Negação dos problemas, com aumento de cinismo e intolerância com colegas;
  7. Recolhimento social e abandono progressivo da vida fora do trabalho;
  8. Mudanças evidentes de comportamento, percebidas pelas pessoas ao redor;
  9. Despersonalização, com perda de contato com a própria identidade e emoções;
  10. Sensação de vazio interior, frequentemente preenchida com excessos alimentares, álcool ou compras;
  11. Depressão, com falta de perspectiva e exaustão profunda;
  12. Colapso físico e mental completo, com confusão, adoecimento e, em casos extremos, pensamentos suicidas.

Esse percurso pode levar meses ou anos. Mas raramente alguém chega ao estágio final sem ter dado sinais antes.

Pessoa sentada no chão, abraçando o rosto com expressão de exaustão e tristeza, em ambiente interno com pouca luz, simbolizando sinais de burnout como estresse e cansaço mental.

Síndrome de burnout: quais são as causas?

As causas da síndrome de burnout estão quase sempre ligadas ao ambiente de trabalho

Ambientes com metas intangíveis, pressão constante, falta de reconhecimento, excesso de responsabilidade sem autonomia e culturas que glorificam a superação de limites são os principais gatilhos.

Profissões como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas e profissionais de RH estão entre as mais afetadas. 

No caso do RH e do DP, a sobrecarga operacional, o contato direto com conflitos e demissões, a pressão por compliance e a gestão de pessoas em crise criam um caldo propício para o desenvolvimento da síndrome.

Não é fraqueza. É consequência de um sistema que exige demais sem oferecer suporte suficiente.

O burnout tem cura?

Sim, o burnout tem tratamento e melhora com o cuidado adequado. Mas é importante entender que não existe uma solução rápida.

O tratamento envolve uma combinação de fatores: acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra, mudanças no ambiente de trabalho, reequilíbrio entre vida profissional e pessoal, e, em alguns casos, uso de medicação para tratar sintomas associados como ansiedade e depressão.

O diagnóstico só pode ser feito por um profissional de saúde mental, que vai avaliar os sintomas, a história do paciente e o contexto de trabalho. 

A confusão com depressão é comum, mas existe uma diferença fundamental: o burnout está diretamente ligado ao trabalho. Se os sintomas estiverem fora do contexto profissional também, pode ser outro quadro clínico.

O cid burnout corresponde ao código QD85 na CID-11, classificado como fenômeno ocupacional. 

Isso tem implicações legais e trabalhistas importantes, especialmente para os profissionais de DP que precisam lidar com afastamentos e laudos médicos relacionados à síndrome.

Duas pessoas conversam em um ambiente de escritório acolhedor, sentadas em sofás, com gesto de apoio e acolhimento, sugerindo acompanhamento em saúde mental e prevenção de burnout

O que fazer se você suspeitar de burnout?

A primeira coisa é parar de minimizar o que está sentindo. “Todo mundo está cansado” é uma frase que atrasa o tratamento de muita gente.

Procure um psicólogo ou psiquiatra. Converse com alguém de confiança. Avalie com honestidade a sua rotina de trabalho e os limites que você tem ou não tem respeitado.

Se você é gestor ou trabalha em RH, olhar para os sinais de burnout nos membros da equipe também é parte da função. Queda de produtividade, absenteísmo, mudanças de comportamento e conflitos frequentes podem ser sintomas de algo que vai além de “desmotivação”.

O papel do RH na prevenção do burnout

Empresas que ignoram o burnout pagam um preço alto. 

A queda de produtividade, o aumento do turnover, os afastamentos prolongados e o impacto na cultura organizacional são consequências diretas de ambientes que não cuidam da saúde mental dos seus colaboradores.

O RH tem um papel estratégico nessa equação. 

Pesquisas de clima, programas de saúde mental, políticas de desconexão digital, revisão de metas e treinamento de líderes são ações concretas que reduzem o risco de burnout nas equipes.

Mais do que executar processos, o RH precisa ser o guardião do bem-estar organizacional. E para isso, precisa ter as ferramentas certas.

O QuarkRH foi desenvolvido para desafogar o dia a dia dos profissionais de RH e DP, automatizando processos operacionais que consomem tempo e energia, e permitindo que você foque no que realmente importa: as pessoas. 

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Foto de Marília Cordeiro

Marília Cordeiro

Jornalista com mais de 10 anos de experiência em marketing e criação de conteúdo para empresas de tecnologia e RH. Gosta de transformar temas complexos em textos leves, estratégicos e que ajudam pessoas.
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