
A saúde mental virou pauta obrigatória nas empresas. E não apenas por necessidade, mas por imposição legal.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou obrigatória a gestão dos riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização passa a ter caráter punitivo, e fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, metas excessivas e falta de apoio organizacional devem ser identificados, avaliados e controlados da mesma forma que riscos físicos, químicos e biológicos.
Para o RH e o Departamento Pessoal, isso representa uma mudança estrutural. Não é mais possível tratar saúde mental como ação pontual de bem-estar. Ela deve entrar no processo formal de gestão de riscos da empresa.
Os números ajudam a entender a urgência.
Segundo a OIT e a OMS, 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo inteiro devido à depressão e à ansiedade, o que representa um custo de quase um trilhão de dólares à economia global, relacionado predominantemente à perda de produtividade.
Neste artigo, você vai entender o que são riscos psicossociais, quais os exemplos mais comuns no ambiente de trabalho, o que a NR-1 exige da sua empresa e como o RH pode agir agora para evitar passivos trabalhistas e estar pronto para a fiscalização.
1 – O que são riscos psicossociais?
Os riscos psicossociais são fatores presentes nas condições, organização e relações de trabalho que têm potencial para causar prejuízos à saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Eles não se referem a doenças ou sintomas individuais, mas às características do ambiente e da gestão do trabalho que podem gerar estresse, tensão emocional e sofrimento psíquico.
Em linguagem direta: são as condições do trabalho que adoecem as pessoas, não a fraqueza de cada indivíduo.
Diferente de um acidente com máquinas ou exposição a produtos químicos, esses riscos são mais sutis, porém igualmente prejudiciais.
É exatamente por isso que passaram tanto tempo fora dos radares das empresas e, até recentemente, fora das normas regulamentadoras.

2 – O que são riscos psicossociais no trabalho, na prática?
Os fatores psicossociais no trabalho são situações que envolvem a maneira como as atividades são planejadas, organizadas e executadas.
Quando não são bem conduzidas, essas situações podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Isso inclui desde a forma como as metas são definidas até a qualidade do relacionamento entre líderes e equipes.
O problema não está apenas no que o colaborador faz, mas em como o trabalho está estruturado ao redor dele.

3 – Quais são os exemplos de riscos psicossociais?
Exemplos incluem metas impossíveis de cumprir, excesso de trabalho, assédio moral, falta de apoio dos superiores, tarefas repetitivas ou solitárias, desequilíbrio entre o esforço e a recompensa, além de locais com falhas na comunicação.
Para facilitar o mapeamento, o Guia do Ministério do Trabalho e os especialistas em SST costumam organizar esses fatores em grupos:
- Organização do trabalho: jornadas excessivas, metas inatingíveis, ritmo acelerado sem pausas, acúmulo de funções e prazos que não respeitam a capacidade humana;
- Relações interpessoais: assédio moral, assédio sexual, conflitos não resolvidos entre pares ou com lideranças, clima de hostilidade e falta de suporte dos gestores;
- Autonomia e controle: microgerenciamento, ausência de participação nas decisões, tarefas sem clareza de escopo e pouca margem para o colaborador organizar sua própria rotina;
- Reconhecimento e justiça: desequilíbrio entre o esforço entregue e a recompensa recebida, falta de feedback, percepção de injustiça nos processos de promoção e avaliação;
- Segurança e estabilidade: insegurança no emprego, incerteza sobre o futuro do cargo, comunicação institucional deficiente e ambientes com alta rotatividade.
Quando não gerenciados, esses fatores podem resultar em estresse crônico, ansiedade, depressão, burnout e até doenças físicas como as DORTs, as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho.
4 – Quais são os riscos psicossociais da NR-1?
Antes da atualização, a NR-1 já determinava o gerenciamento dos riscos ocupacionais, como físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, mas não havia a citação expressa dos riscos psicossociais.
O que mudou é que agora o risco psicossocial passou a ser expressamente citado e, portanto, deverá integrar obrigatoriamente o Programa de Gerenciamento de Riscos.
A atualização, gerada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, esclarece queos empregadores devem identificar e avaliar riscos psicossociais em seus ambientes de trabalho, independentemente do porte da empresa.
Isso significa que não há exceção por tamanho ou setor.
A microempresa com 5 colaboradores e a multinacional com mil funcionários têm a mesma obrigação legal de identificar e controlar esses riscos.
A orientação do Ministério do Trabalho é de que as mudanças previstas na NR-1 sejam implementadas em conjunto com a NR-17, sobre Ergonomia.
A gestão dos riscos psicossociais deve começar com a Avaliação Ergonômica Preliminar e, em casos específicos, com a Análise Ergonômica do Trabalho.

5 – Quais são os 9 riscos psicossociais mais citados?
A OIT e os principais referenciais técnicos internacionais organizam os riscos psicossociais em categorias.
As mais recorrentes no contexto brasileiro, e que aparecem tanto no Guia do MTE quanto nas ferramentas de avaliação ergonômica, são:
- Sobrecarga quantitativa de trabalho (volume excessivo de tarefas);
- Sobrecarga qualitativa (exigências além das competências do colaborador);
- Baixa autonomia e controle sobre o próprio trabalho;
- Falta de suporte social de líderes e colegas;
- Assédio moral e/ou sexual;
- Insegurança no emprego;
- Desequilíbrio entre esforço e recompensa;
- Conflitos de papel (tarefas contraditórias ou indefinidas);
- Isolamento social e falta de pertencimento à equipe.
Esses fatores não operam de forma isolada.
Na maioria dos ambientes de trabalho adoecedores, mais de um deles está presente ao mesmo tempo, o que intensifica os danos à saúde dos colaboradores.

6 – Como avaliar os riscos psicossociais no trabalho?
O ponto de partida é o mapeamento.
A identificação exige o levantamento de informações sobre o estabelecimento, os processos de trabalho e as características dos trabalhadores, além da definição de critérios de avaliação e da estratégia metodológica, que pode incluir observações, questionários, oficinas ou uma combinação dessas abordagens.
Na prática, o RH pode começar com algumas ações concretas como:
- pesquisas de clima organizacional aplicadas com regularidade e anonimato garantido;
- análise dos dados de absenteísmo e afastamentos por CID relacionados a transtornos mentais;
- entrevistas com líderes e colaboradores sobre as condições reais de trabalho. Revisão dos processos de feedback, metas e comunicação interna.
As empresas precisam registrar ações específicas sobre a prevenção dos riscos psicossociais, como pesquisas de clima, treinamentos e intervenções.
Auditorias internas e externas devem incluir verificações relacionadas à gestão desses riscos.
Um dado que reforça a urgência dessa agenda: segundo uma pesquisa do InfoJobs divulgada pela Exame, 86% dos funcionários mudariam de emprego para resguardar sua saúde mental, e 76% conhecem alguém que precisou ser afastado por questões psicológicas.
Ou seja, o impacto na retenção de talentos é direto.

7 – O que acontece se a empresa não se adequar?
A fiscalização será realizada de forma planejada e por meio de denúncias encaminhadas ao MTE.
Setores com alta incidência de adoecimento mental, como teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde, serão prioritários.
Durante as inspeções, os auditores fiscais verificarão aspectos relacionados à organização do trabalho, buscarão dados de afastamentos por doenças como ansiedade e depressão, entrevistarão trabalhadores e analisarão documentos para identificar possíveis situações de risco psicossocial.
Além das penalidades administrativas, a empresa que não gerencia riscos psicossociais fica exposta a processos trabalhistas por dano moral, doença ocupacional e nexo de causalidade com transtornos mentais.
O passivo pode ser significativamente maior do que o custo da adequação preventiva.
8 – Conheça a estrutura para gestão de pessoas que protege sua empresa
Cumprir as exigências da NR-1 em relação aos riscos psicossociais exige organização, registro e processos claros.
Não dá para fazer isso com planilhas desatualizadas ou processos manuais dispersos.
O QuarkRH oferece uma plataforma integrada que ajuda o RH e o DP a estruturarem a gestão de pessoas com conformidade legal, desde o controle de jornada e absenteísmo , canal de denúncias anônimo até a organização de documentos trabalhistas que serão exigidos em uma fiscalização.
Com dados centralizados e processos digitalizados, sua empresa tem mais visibilidade sobre os indicadores que apontam risco psicossocial, como o aumento de afastamentos, o absenteísmo por setor e os padrões de jornada excessiva, antes que eles virem problema.
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