
A rotatividade de funcionários aparece associada a um risco financeiro maior nas empresas, segundo estudo da Serasa Experian divulgado pela Exame em 23 de outubro. A pesquisa analisou cerca de 1 milhão de empresas brasileiras e cruzou o tempo de permanência das equipes com o índice de inadimplência dos CNPJs.
Entre as empresas na faixa de maior rotatividade, 38% estão inadimplentes. Nas de menor movimentação, o índice é de 19%. O dado leva a movimentação de pessoal para além da rotina do RH, já que a diferença entre os dois grupos é de praticamente o dobro.
Quanto mais tempo a equipe fica, menor a inadimplência
O levantamento mostra que a inadimplência cai de forma gradual conforme aumenta o tempo de permanência dos colaboradores. Onde os funcionários ficam de três a seis meses, o índice chega a 44%. Nas empresas em que ficam mais de dez anos, cai para 16%.
O estudo também olhou a longevidade das empresas. Entre as de baixa rotatividade de funcionários, 26% estão na faixa de baixa longevidade. Entre as de alta rotatividade de funcionários, o percentual sobe para 41%.
Na análise por Score PJ, indicador usado na avaliação de crédito de empresas, o recorte considerou as que têm pontuação de 455 a 539 pontos. Nesse grupo, a inadimplência média é de 22,1%. O índice vai de 15,7% nas de menor rotatividade a 29,7% nas de maior movimentação. Mesmo entre empresas com pontuação parecida, portanto, a movimentação de pessoal acompanha diferenças relevantes de inadimplência.

Associação não é causa: o que a Serasa ressalva
Viviane Moura, diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian, explica que os números indicam uma ligação entre os dois fatores, sem provar que um provoca o outro. Por isso, o levantamento funciona como um ponto de atenção, e não como uma resposta pronta sobre o comportamento das empresas.
Uma das possibilidades levantadas é que empresas com finanças mais sólidas tenham mais condições de apostar na formação e no crescimento profissional de seus times. Outra é que equipes que permanecem juntas mantêm o conhecimento acumulado dentro da casa. A pesquisa não esclarece qual fator vem primeiro, e os dois podem se reforçar: a estabilidade financeira pode favorecer a permanência, e a permanência também pode contribuir para a estabilidade financeira.
O levantamento também não apurou por que as pessoas deixaram as empresas. Assim, não há como relacionar a rotatividade de funcionários à atuação de gestores ou à política de salários. Há ainda diferenças de ritmo de movimentação entre os setores, o que pede cautela ao comparar empresas de áreas diversas.
Do crédito consignado à análise de risco das empresas
Os três recortes apresentados pelo estudo, tempo de permanência, longevidade das empresas e Score PJ, apontam na mesma direção. Em todos eles, quanto maior a movimentação de pessoal, maior a inadimplência e mais frequente a baixa longevidade. Esse padrão repetido em análises diferentes ajuda a explicar por que o tema passou a chamar a atenção de quem trabalha com crédito.
Os indicadores foram desenvolvidos inicialmente para o crédito consignado privado, mas podem ajudar na avaliação de risco dos CNPJs. Nesse uso, a movimentação de funcionários deixa de ser vista apenas como um número de RH e passa a funcionar como uma pista sobre a estabilidade operacional e financeira da empresa.
A leitura, no entanto, não substitui uma análise mais ampla do negócio.
O que isso muda para o RH e o DP
Para quem atua em RH e Departamento Pessoal, o estudo reforça a importância de acompanhar admissões e desligamentos como dados de gestão, e não apenas como rotina administrativa. A rotatividade de funcionários passa a ser lida também por quem avalia o risco da empresa.
Manter esses registros organizados e atualizados ajuda a enxergar o próprio padrão de movimentação e a levar essa informação para a conversa com a gestão. Mantenha o Departamento Pessoal em dia com o QuarkRH e acompanhe admissões, desligamentos e indicadores de pessoas em um só sistema.








